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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


segunda-feira, 30 de março de 2015

CARTA DO PAPA PELO V CENTENÁRIO DE SANTA TERESA DE JESUS AO PREPÓSITO GERAL



Ao Revdmo. P. Saverio Cannistrà
Prepósito geral da Ordem dos Irmãos Descalços da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo

Querido irmão:
Ao se completar os 500 anos do nascimento de santa Teresa de Jesus, quero me unir, junto com toda a Igreja, à ação de graças da grande família do Carmelo descalço - religiosas, religiosos e seculares - pelo carisma desta mulher excepcional.
Considero uma graça providencial que este aniversário coincida com o ano dedicado à Vida Consagrada, na qual a Santa de Ávila resplandece como guia segura e modelo atraente de entrega total a Deus. Trata-se de um motivo a mais para olhar o passado com gratidão, e redescobrir “a centelha inspiradora” que impulsionou os fundadores e suas primeiras comunidades (cf. Carta aos Consagrados, 21 de novembro de 2014)
Quanto bem continua fazendo a todos nós o testemunho de sua consagração, nascido diretamente do encontro com Deus, e sua vivência comunitária, enraizada na maternidade da Igreja!
1. Santa Teresa é acima de tudo mestra de oração. Em sua experiência, foi central o descobrimento da humanidade de Cristo. Movida pelo desejo de compartilhar essa experiência pessoal com os demais, escreve sobre a mesma de uma forma viva e simples, ao alcance de todos, pois consiste simplesmente em “tratar de amizade com quem sabemos que nos ama” (Vida 8,5). Muitas vezes a própria narração se torna prece, como se quisesse introduzir o leitor em seu diálogo interior com Cristo. A oração de Teresa não foi uma oração reservada a um trecho ou hora do dia; surgia espontânea nas mais variadas ocasiões: “Terrível seria só se poder ter oração em lugares remotos!” (Fundações 5, 16). Estava convencida do valor da oração contínua, ainda que nem sempre perfeita. A Santa pede para que sejamos perseverantes, fiéis, inclusive em meio à aridez, às dificuldades pessoais ou de necessidades prementes que nos interpelam.
Para renovar hoje a vida consagrada, Teresa nos deixou um grande tesouro, cheio de propostas concretas, caminhos e formas para rezar, que, longe de nos fechar em nós mesmos ou de buscar um simples equilíbrio interior, fazem-nos recomeçar sempre a partir de Jesus e constituem uma autêntica escola de crescimento no amor a Deus e ao próximo.
2. A partir de seu encontro com Jesus Cristo, Santa Teresa viveu “outra vida”; transformou-se numa comunicadora incansável do Evangelho (cf. V 23,1). Desejosa de servir à Igreja, e tendo em vista os graves problemas de seu tempo, não se limitou a ser uma espectadora da realidade que a cercava. Na sua condição de mulher e com suas limitações de saúde, decidiu – diz ela – “fazer este pouquito que está em minha mão: seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição que eu pudesse e procurar que estas poucas que aqui estão fizessem o mesmo” (Caminho 1,2). Por isso iniciou a reforma teresiana, na qual pedia a suas irmãs que não gastassem o tempo tratando “com Deus negócios de pouca importância” quando estava “ardendo o mundo” (C 1,5). Esta dimensão missionária e eclesial distinguiu desde sempre o Carmelo descalço.
Como fez outrora, também hoje a Santa nos abre novos horizontes, nos chama a uma grande empreitada, a ver o mundo com os olhos de Cristo, para buscar o que Ele busca e amar o que Ele ama.
3. Santa Teresa sabia que nem a oração nem a missão podiam subsistir sem uma autêntica vida comunitária. Por isso, o fundamento que pôs em seus mosteiros foi a fraternidade: “Aqui todas hão de se amar, todas hão de se querer, todas hão de se ajudar” (C 4,7). E foi muito atenta em admoestar suas religiosas sobre o perigo da autorreferencialidade na vida fraterna, que “consiste tudo, ou grande parte, em perder o cuidado de nós mesmos e das nossas comodidades” (C 12,2) e pôr o que somos ao serviço dos outros. Para evitar este risco, a Santa de Ávila recomenda a suas irmãs, sobretudo, a virtude da humildade, que não é apoucamento exterior nem tolhimento interior da alma, mas cada qual conhecer o que pode e o que Deus pode nele (cf. Relações 28). O oposto é o que ela denomina “negra honra” (V 31,23), fonte de fofocas, ciúmes e intrigas, que danificam seriamente a relação com os demais. A humildade teresiana é feita de aceitação de si mesmo, de consciência da própria dignidade, de audácia missionária, de agradecimento e de abandono em Deus.
Com estes nobres princípios, as comunidades teresianas são chamadas a se tornarem casas de comunhão, que deem testemunho do amor fraterno e da maternidade da Igreja, apresentando ao Senhor as necessidades do nosso mundo, lacerado por divisões e guerras.
Querido irmão, não quero terminar sem agradecer aos Carmelos teresianos que recomendam o Papa com especial ternura ao amparo da Virgem do Carmo, e acompanham com sua oração os grandes desafios da Igreja. Peço ao Senhor que seu testemunho de vida, como o de Santa Teresa, transpareça a alegria e a beleza de viver o Evangelho e atraiam a muitos jovens para seguir Cristo de perto.
A toda família teresiana concedo minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 28 de março de 2015
Papa Francisco



MENSAGEM DO PAPA AO BISPO DE ÁVILA POR OCASIÃO DO V CENTENÁRIO



Mensagem do papa ao bispo de Ávila
Ao Monsenhor Jesús García Burillo
Bispo de Ávila
Vaticano, 28 de março de 2015
Querido irmão:
Hoje meu coração está em Ávila, onde há 500 anos nasceu Teresa de Jesus. Mas não posso esquecer os vários outros lugares que preservam sua memória, pelos quais passou com suas sandálias gastas percorrendo estradas poeirentas: Medina del Campo, Malagón, Valladolid, Duruelo, Toledo, Pastrana, Salamanca, Segóvia, Beas de Segura, Sevilha, Caravaca de la Cruz, Villanueva de la Jara, Palência, Sória, Granada, Burgos e Alba de Tormes. Além disso, a pegada desta ilustre Reformadora continua viva nas centenas de conventos carmelitas espalhados por todo o mundo. Seus filhos e filhas no Carmelo mantêm acesa a luz renovadora que a Santa acendeu para o bem de toda a Igreja.

A esta insigne “mestra de espirituais”, coube a meu predecessor, o beato Paulo VI, o inédito gesto de conferir o título de Doutora da Igreja. A primeira mulher Doutora da Igreja! Ela nos mostra como viver o segredo de Deus, que adentrou “por meio da experiência, vivida na santidade de uma vida consagrada à contemplação e, ao mesmo tempo, dedicada à ação, experiência sofrida e também gozada, na efusão de extraordinários carismas espirituais” (Homilia na Declaração do Doutorado de Santa Teresa, 27 setembro de 1970: AAS [1970] 592).
Nada disto perdeu sua vigência. Contemplação e ação seguem sendo seu legado para os cristãos do século XXI. Por isso, como gostaria que pudéssemos falar com ela, tê-la a frente e perguntar-lhe várias coisas. Séculos depois, seu testemunho e suas palavras nos encoraja a entrarmos em nosso castelo interior e a sair fora, a “guardarem-se as costas uns aos outros… para irem adiante” (Vida 7, 22). Sim, entrar em Deus e sair com seu amor para servir os irmãos. Para isto “convida o Senhor a todos” (Caminho 19,15), seja qual for nossa condição e lugar que ocupemos na Igreja (cf. C 5,5).
Como ser contemplativos na ação? Que conselhos nos daria você, Teresa, hoje?
No momento presente, seus primeiros interlocutores seriam os religiosos e as religiosas, aos quais a Santa animaria a se comprometerem sem rodeios: “Não, minhas irmãs; não é tempo de tratar com Deus negócios de pouca importância” (C 1,5), como disse às suas monjas. Ela hoje nos tiraria da autorreferencialidade e nos impulsionaria a sermos consagrados “em saída”, com um modo de vida austero, sem “franzimentos” nem amarguras: “Assim não vos acanheis porque, se a alma se começa a encolher, é coisa muito má para tudo quanto é bem” (C 41,5). Neste Ano da Vida Consagrada, nos ensina a ir ao essencial, a não deixar a Cristo as migalhas de nosso tempo ou de nossa alma, mas a levar-lhe tudo nesse amistoso colóquio com o Senhor, “estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (V 8,5).
E sobre os sacerdotes? Santa Teresa diria abertamente: não os esqueçam em sua oração. Sabemos bem que foram para ela apoio, luz e guia. Consciente como era da importância da pregação para a fé das pessoas mais simples, valorizava os presbíteros e, “se via algum pregar com espírito e bem, cobrava-lhe particular afeição” (V 8,12). Mas, acima de tudo, a Santa orava por eles e pedia a suas monjas que estivessem “todas ocupadas em oração pelos defensores da Igreja e pregadores e letrados que a defendem” (C 1,2). Que bonito seria se a imitássemos rezando infatigavelmente pelos ministros do Evangelho, para que não se apague neles o entusiasmo nem o fogo do amor divino e se entreguem por inteiro a Cristo e a sua Igreja, de modo que sejam para os demais bússola, bálsamo, estímulo e consolo, como o foram para ela. Que a prece e a proximidade dos Carmelos acompanhem sempre os sacerdotes no exercício do ministério pastoral.
E aos leigos? E às famílias, que neste ano estão tão presentes no coração da Igreja? Teresa foi filha de pais piedosos e honrados. A eles dedica apenas algumas palavras elogiosas no início do Livro da Vida: “Ter pais virtuosos e tementes a Deus - se eu não fosse tão ruim - me bastaria, com o que o Senhor me favorecia, para ser boa” (V 1,1). Na juventude, quando ainda era “inimiguíssima de ser monja” (V 2,8), foi educada para seguir o caminho do matrimônio, como as moças de sua idade. Foram muitos e bons os leigos com que a Santa tratou e que auxiliaram suas fundações: Francisco de Salcedo, o “cavaleiro santo”, sua amiga Guiomar de Ulloa ou Antônio Gaytán, a quem escreve louvando seu estado e pedindo que se alegre por ele (cf. Carta 386 2). Necessitamos hoje homens e mulheres como eles, que tenham amor pela Igreja, que colaborem com ela em seu apostolado, que não sejam somente destinatários do Evangelho, mas discípulos e missionários da Palavra divina. Há ambientes em que somente eles podem levar a mensagem da salvação, como fermento de uma sociedade mais justa e solidária. Santa Teresa continua convidando os cristãos de hoje a se somarem à causa do Reino de Deus e a formarem lares em que Cristo seja a rocha na qual se apoiem e a meta que coroe seus anseios.
E aos jovens? Mulher inquieta, viveu sua juventude com a alegria própria desta etapa da vida. Nunca perdeu esse espírito jovial que ficou refletido em tantas máximas que retratam suas qualidades e seu espírito empreendedor. Estava convencida de que há de se “ter uma santa ousadia, pois Deus ajuda aos fortes” (C 16,12). Essa confiança em Deus a empurrava sempre para frente, sem poupar sacrifícios nem pensar em si mesma, apenas amando o próximo: “São necessários amigos fortes de Deus para sustentar os fracos” (V 15,5). Assim demonstrou que medo e juventude não se coadunam. Que o exemplo da Santa infunda coragem às novas gerações, para que não lhes tolha “a alma e o ânimo” (C 41,8). Especialmente quando descobrem que vale a pena seguir Cristo por toda a vida, como fizeram aquelas primeiras monjas carmelitas descalças que, em meio de não poucas contrariedades, abriram as portas do primeiro “palomarcito”, em 24 de agosto de 1562. Pela mão de Teresa, os jovens terão valor para fugir da mediocridade e tibieza e hospedar em sua alma grandes desejos, nobres aspirações dignas das melhores causas. Parece-me ouvi-la agora lhes advertindo com seu gracejo que se não olham para o alto serão como “sapos”, que caminham devagar e rasteiramente, e se contentariam em “apenas caçar lagartixas”, dando importância a minúcias no lugar das coisas que realmente contam (cf. V 13,3).
E, de modo especial, rogo a Santa Teresa que nos conceda a devoção e o fervor que ela tinha a são José. Muito bem faria aos que passam pela prova da dor, enfermidade, solidão, àqueles que se sentem agoniados ou entristecidos recorrer a este insigne Patriarca com o amor e a confiança com que o fazia a Santa.  Confesso, querido irmão, que frequentemente falo a são José de minhas preocupações e problemas e, como ela, “não me recordo até agora de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer… A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra - pois como tinha nome de pai, embora sendo aio, O podia mandar -, assim no Céu faz quanto Lhe pede” (V 6,6). “Glorioso patriarca São José, cujo poder sabe tornar possíveis as coisas impossíveis… Mostrai-me que vossa bondade é tão grande como o vosso poder”, diz uma antiga oração inspirada na experiência da Santa.
Querido irmão, peço-lhe, por favor, que reze e faça rezar por mim e meu serviço o santo Povo fiel de Deus. De minha parte, encomendo todos os que celebram este V Centenário à intercessão de Santa Teresa, para que alcancem do céu tudo o que necessitem para serem de Jesus, como ela, e com a experiência de seu amor, possam construir uma sociedade melhor, na qual ninguém fique excluído e se promova a cultura do encontro, do diálogo, da reconciliação e a paz.
Que Jesus o abençoe e a Santíssima Virgem o proteja.
Fraternalmente
Papa Francisco



domingo, 29 de março de 2015

28 DE MARÇO - CELEBRAÇÃO DOS 500 ANOS DO NASCIMENTO DE SANTA TERESA


Queremos partilhar com vocês uma mensagem preparada por nossa Irmã Ivone para esta data na celebração deste evento na Celebração Eucarística do dia de ontem. Agradecemos a ela sua disponibilidade.

Senhor Deus, nós vos agradecemos porque  suscitastes  santa Teresa na Igreja, para que ela seja  mestra de oração.

Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus, recebeu tantos carismas, mas o carisma que mais resplandeceu na sua vida é o carisma da oração-amizade com Deus.
Teresa de Ávila teve onze irmãos: "eu fui a 'mais querida'”, nos diz a santa. Seus pais eram virtuosos. Nas páginas iniciais de sua Autobiografia, descreve  o perfil de seu pai, D. Alonso de Cepeda: “homem reto, amigo da verdade, sem excessos, socialmente bem orientado, afeito à leitura, interessado pela Eucaristia, de muita caridade para com os pobres e piedade para com os enfermos e criados”. Muito similar é o perfil feminino de dona Beatriz de Ahumada, sua mãe: “sofrida, recatada, pacífica e de grande entendimento, propensa a cultivar a piedade mariana nos filhos e outras virtudes cristãs” (V 3 ).
Na idade de 13 anos, Teresa perde sua mãe, Dona Beatriz e a experiência prematura da orfandade leva-a aos pés da Virgem Maria, a quem pede que seja sua mãe.
Teresa, que tão assídua e intensamente exerceu sua missão de mãe dos espirituais, dentro e fora dos Carmelos, cuidou também desse aspecto da vida familiar. Interessada pela vida espiritual de seu pai e seus irmãos (V 7,13).
Com este pano de fundo, Teresa vai viver seu processo vocacional entre os 18 – 20 anos de idade, momento em que foge de casa e ingressa no mosteiro da Encarnação das carmelitas em Ávila. Ali, toma consciência de unir-se a uma tradição espiritual de inspiração bíblica intensa e litúrgica. Encontra nas páginas da Sagrada Escritura, Jesus Cristo, o livro vivo.
Teresa será sempre amiga de bons livros, de letras e de letrados. Centra o valor da sua oração no coração da Igreja, na força apostólica, no dom generoso e gratuito de si mesma. O clero é a classe social mais próxima de Teresa e também a mais determinante para uma religiosa como ela. Está em contínuo contato com os eclesiásticos. Tem uma alta estima pelo bispo e pelos bispos por ela conhecidos, porém, sobretudo valoriza positivamente o clero. O sacerdote para ela é o que leva a bandeira de Cristo à frente, uma espécie de capitão dos cristãos. O defensor da causa de Cristo.
Teresa queria que sua comunidade religiosa fosse “o pequeno colégio de Cristo” e que suas irmãs canalizassem sua oração e vida para os defensores da Igreja.
Os escritos de Teresa são fundamentalmente relatos de sua experiência oracional. Relata seu dia-a-dia e diz: “até na cozinha anda o Senhor”. Relata especiais graças cristológicas, antropológicas, eclesiológicas, teológicas. Compreendia e vivia sua oração como amizade pessoal com o Senhor, com a Santíssima Trindade e como entrega incondicional a Ele. A oração é a porta que abre à pessoa o espaço de intimidade com Deus presente no mais profundo da alma (coração). Lugar onde se revela a Verdade que é Cristo ( V 19,12; F 10,13). Teresa compreende a oração como fiel e paciente atitude de amizade com o Senhor. Com frequência fala de acostumar-se a buscar a companhia daquele que sabemos que nos ama e caminha conosco (C 26. 29). Nenhum ser humano se permite não amar. A oração nos orienta para o amor, para amar.Para Teresa a oração não é outra coisa, senão tratar de amizade estando muitas vezes a sós com aquele que sabemos que nos ama (V 8,5). Elevar nosso coração para Deus, dirigir o nosso pensamento para o Senhor, lançar nosso olhar para o céu que esta dentro de nós. Disso nós temos experiência, sabemos que Deus está conosco, que sua presença nos envolve, que Ele caminha no  ritmo da nossa vida. O ritmo da oração é o ritmo do amor que nos aproxima de Deus e do irmão numa relação fraterna vendo  a presença de Jesus no outro. Respeitando o outro que é morada da Trindade.
Quando falamos em oração, o que é que nós entendemos? A oração exige silêncio, exige estar com Deus, exige nosso falar com Deus com plena liberdade. Falar com Deus sobre o que perturba nosso coração. Falar com Deus sobre nossa fé, sobre nossa salvação. Falar sobre as pessoas que sofrem, que se recomendaram as nossas orações, as que nos comprometemos rezar. Falar sobre as vocações, a perseverança de todos. O nosso coração é agitado, a nossa mente é inquieta, o nosso corpo está motivado por instintos que devem ser canalizados. A nossa história é cheia de preocupações constantes:  de como pagar o aluguel, de como pagar a prestação do carro, de como pagar o telefone, a conta da luz, de como comprar o pão, de como pagar o gás, a padaria, o colégio das crianças, a farmácia  e outras... falar com Deus as feridas do nosso coração, tudo isso perturba o nosso  coração, nos afasta  de Deus e de nós mesmos. Falar as coisas da vida com Deus para que Ele vá pacificando-nos por dentro. Ele nos escuta, Ele está conosco.  A oração, a meditação, a reflexão, esse meditar sobre a Palavra de Deus, o entrar no nosso sacrário interior, isso não é outra coisa que tratar de amizade, amizade que vai crescendo na medida que estamos juntos nesse conhecimento mútuo. Os amigos não têm segredo. A verdadeira cura só acontece pelo amor. Deus nos ama.
A amizade é partilhar a vida. Deus é nosso amigo, nós somos amigos(as) de Deus.  Santa Teresa via Deus nos afazeres cotidianos, nas suas andanças de fundadora, e nessas andanças não perde de vista seu ideal da intimidade com o Senhor, da contemplação, da sua profunda comunhão com Ele. Todos nós somos chamados a essa oração de amizade, precisamos de humildade, simplicidade, confiança, esforço para estar com Deus, Ele está sempre conosco. A oração tem graus, quanto mais rezamos mais avançamos no caminho e o Senhor mesmo vai nos conduzindo. Teresa dá seu testemunho: “passei mais de 14 anos sem poder rezar sem a ajuda de um livro para ir lendo e meditando”. Às vezes estamos bem adiantados no caminho da oração, mas o egoísmo, o pecado e outros “ismos” nos colocam fora da morada onde Deus mora e precisamos recomeçar com humildade tudo outra vez...
A oração nos leva a uma consciência e um discernimento de quanto acontece ao nosso redor, no mundo marcado pela secularização com uma cultura globalizante que vai impregnando e deixando irmãos na margem, na pobreza, na miséria.
A experiência da oração não pode realizar-se no alienamento, na indiferença, na falta de atenção ao sofrimento da humanidade. A oração teresiana nos leva a uma abertura aos acontecimentos de nosso mundo, a uma responsabilidade eclesial, apostólica, numa renovada consciência da dignidade da pessoa humana. Se lermos os escritos de santa Teresa,iremos percebendo como ela vai relatando esses e outros jeitos de rezar sempre com o pano de funda da amizade com Deus e com as pessoas.

BISPO D. LIRO NOS FALA SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015

No sábado do dia 21 de março nosso querido Bispo, D. Liro Vendelino Meurer, veio falar-nos sobre a importância da Campanha da Fraternidade de 2015, com o tema: "Fraternidade: Igreja e Sociedade" e o lema: "Eu vim para servir". Neste lema temos uma síntese da vida de Jesus, ele veio para servir a todos e nos salvar.
Fez-nos uma projeção ilustrada sobre toda a realidade da sociedade brasileira na perspectiva da CF 2015, no método: "Ver, julgar e agir".
Disse-nos que a Campanha da Fraternidade quer educar para a fraternidade, somos chamados a cuidar da vida em todos os aspectos. As estatísticas que a CNBB recolheu nos anunciam de que a vida está mais cuidada nestes últimos anos no Brasil, há menos pobreza e mortalidade infantil. Há um longo caminho a ser percorrido, muitas mudanças são necessárias em nossa sociedade. Todos somos chamados a colaborar e a Igreja tem um papel fundamental neste processo de conscientização da população. 
Agradecemos D. Liro sua disposição em partilhar conosco sobre este lindo tema. Que Deus recompense sua dedicação amável por nossa comunidade.
Neste dia também aproveitamos para parabenizá-lo e celebrar pelos seus seis anos de episcopado que completou no dia 22 de março. Rezamos que Deus no-lo conserve entre nós com seu jeito todo peculiar de ser e que seja sempre iluminado pelo Espírito Santo em sua missão de pastorear nossa diocese.
PARABÉNS, D. LIRO!!!




VISITAS E CELEBRAÇÕES

 Nos dias 12 a 15 de março esteve conosco nos visitando e celebrando conosco o Pe. Fabián Sebastián Calizaya, padre da Diocese de Potosí, Bolívia.




Na tarde do dia 15 visitaram-nos o Pe. Marcelo Klein, MSF, com dois vocacionados Carvalho Paulo Wilson, de Moçambique e Juliermenson Alves, de Mossoró, Brasil. Os jovens vieram acompanhar seu formador, Pe. Marcelo que ajuda o Pe. Marcos Bruxel, MSF, que trabalha aqui em Santo Ângelo na Paróquia da Sagrada Família. Os jovens vieram para com o padre fazer-nos uma visita e também conhecer suas madrinhas de oração.




Nos dias 22 e 23 de março esteve nos visitando e celebrando conosco Frei Gilberto Hickmann que agora está se preparando para ir abrindo o caminho para uma nova missão na Angola, África.


A todos os visitantes agradecemos sua presença e a alegria que nos proporcionaram. Contem sempre com nossa oração e amizade e sintam sempre este Carmelo como sua casa para retornarem sempre que desejarem e for possível.







sábado, 28 de março de 2015

25 ANOS DE CARMELO DE IRMÃ PAULA DO BOM PASTOR

Dia 19 de março nossa comunidade despertou em festa. Fomos acordadas com músicas de São José, pois era dia dedicado a ele, mas outro motivo nos levava a sorrir mais que o normal, agradecer e louvar a Deus. Era o jubileu de prata de entrada no Carmelo de nossa querida Priora, Irmã Paula do Bom Pastor. Louvamos a Deus que continua chamando para colaborarem na construção do seu Reino e para servi-Lo de diferentes maneiras, pois há 25 anos chamou Irmã Paula do Bom Pastor para viver de um jeito diferente sua consagração a Ele no Carmelo, através da oração, do silêncio, da solidão, da fraternidade e da entrega. Após um tempo de seguir a Regra de S. Francisco como Irmã Capuchinha, Deus conduziu-a ao Carmelo para viver como filha de Santa Teresa de Jesus, cujo V Centenário do seu Nascimento estamos celebrando. Elevamos neste dia nossa ação de graças pela sua perseverança, para continue fiel a Deus descobrindo no seu dia a dia a vontade Dele. 


Ir. Paula no corredor do Carmelo dirigindo-se para o refeitório para o encontro fraterno no café da manhã.




Recebendo os Parabéns e apagando as velas do bolo: "25".



Sendo abraçada e cumprimentada pelas irmãs.


Irmãs em oração pedindo a bênção de Deus para esta refeição.






Ainda no refeitório junto a ornamentação.


Acolhida na Celebração Eucarística feita por Ir. Rogéria Cadó, FDC.


Pe. Rosalvo Frey, pároco da Paróquia da Catedral que presidiu esta celebração.


Ir. Elisabete proclamando a primeira leitura.


Neusa Utzig proclamando a segunda leitura.









No momento da renovação dos votos de castidade, pobreza e obediência segundo a vida no Carmelo.


Pessoas que participaram da celebração.


Momento após a renovação dos votos.


Fabiane Rodrigues rezando as preces dos fiéis.


Luana Maíra fazendo uma homenagem de agradecimento à Ir. Paula por toda sua dedicação para com ela e demais pessoas que acompanha.


Luana entregando um mimo.




Homenagem de Ir. Maria em nome das irmãs.
A mensagem está a seguir: 

"Querida Irmã Paula do Bom Pastor!
Celebrar um jubileu é celebrar a gratidão, a alegria e a bênção. Gratidão a Deus, a alegria de sua presença e a bênção por sua graça.
Hoje celebramos teu jubileu de prata, teus 25 anos no Carmelo.
Aqui, no silêncio, solidão e oração vieste buscar o clima favorável para realizar o chamado que Jesus te faz para segui-Lo na Vida Religiosa Consagrada e Contemplativa.
Há 25 anos o Bom Pastor te acolhia para celebrar contigo e em ti as Suas maravilhas de amor, paz e felicidade plena.
Celebramos hoje a gratidão a Deus por ter-te em nossa comunidade e ser para nós a representação do Bom Pastor, que nos conduz com segurança para pastagens férteis.
 A felicidade de convivermos contigo transborda em louvor a Deus que nos une no amor de Jesus.  Tua presença e orientação nos conduzem pelos caminhos do seguimento do Bom Pastor, Jesus.
Querida Irmã Paula, nesta data jubilar, queremos agradecer o que és para nós, e para todos os que buscam teu conselho e orientação; agradecer teu esforço, dedicação, empenho, amizade, carinho, força e oração; sendo amiga, companheira e presença, representando a ternura e a misericórdia do Bom Pastor.
Deus te recompense e abençoe. Nós te amamos e queremos dedicar-te esta linda canção que tanto aprecias: 'O Senhor é meu Pastor e nada, nada me faltará'”.

sexta-feira, 27 de março de 2015

DOMINGO DE RAMOS

O MESSIAS HUMILDE E SERVIDOR É O CAMINHO DA IGREJA.

Depois de cinco semanas de preparação, abrem-se as portas de uma semana que vale uma vida. Com ramos, flores e cânticos, caminhamos pelas ruas e reunimo-nos nos templos, não para gritar impropérios contra a presidenta ou para pedir a volta da ditadura militar, mas para aclamar nosso líder manso e humilde. “Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” Sabemos que só alguém infinitamente grande é capaz de fazer-se tão pequeno e tão próximo. Ele nos oferece generosamente sua vida desdobrada em serviço, bebe o cálice num só golpe e realiza plenamente a vontade do Pai. Para entender a entrada de Jesus em Jerusalém precisamos dispensar as imagens e fantasias de poder. Não há nada de triunfal. Jesus vem da Galiléia e entra na capital do seu país montado num jumento. Nada de cortejos de honra, de generais e de cavalos vistosos. Jesus chega a Jerusalém como sempre foi: um servidor, um simples homem, esvaziado de interesses escusos e obediente às necessidades dos outros. O povo da periferia da capital o aclama como filho e herdeiro de Davi, mas isso contrasta com a fria acolhida por parte do povo da capital e com o medo dos próprios discípulos... A escolha do jumento é uma provocação aos líderes militares, conhecidos no passado ou esperados para o futuro. O povo que acompanha Jesus na sua entrada em Jerusalém aclama o despontar do reino messiânico inspirado em Davi e a chegada do líder enviado por Deus. Jesus, porém, não realiza as ações poderosas que eles esperavam: chega ao templo, olha tudo e se retira em Betânia sem fazer nada. Ele é o ouvinte da Palavra do qual fala o profeta Isaías, e dessa escuta obediente brota uma palavra que desperta os adormecidos e encoraja os acorrentados pela doença e pelo medo. O entusiasmo suscitado naquele pequeno grupo de gente que vinha do
interior não se sustentará por muito tempo. Os gritos de ‘hosana’ – Deus salva agora! – logo serão substituídos pelo insolente pedido ‘crucifica-o’, fruto da frustração das esperanças populares e da manipulação interesseira das autoridades. Os próprios discípulos, que haviam acompanhado Jesus e frequentado suas lições, sentem-se irremediavelmente desorientados e defraudados em suas expectativas. Mas nem a divisão que se cria entre os discípulos, nem a real possibilidade da traição, não fazem Jesus mudar de plano... É verdade que Jesus sente-se abatido e chega a perguntar-se sobre o rumo que deve seguir. No momento crucial, depois da festa de acolhida e da ceia de despedida, Jesus enfrenta um discernimento difícil. Pede aos discípulos que fiquem com ele e vigiem. “Tudo é possível para ti. Afasta de mim este cálice... ” Essa experiência permanece como um alerta para os discípulos e discípulas que esperam facilidades. “Vigiem e rezem para não caírem em tentação.” Para Jesus, oração é o momento de confronto profundo com a vontade do Pai, com a missão escrita em caracteres confusos e exigentes. Os discípulos não entendem nada e temem, e Pilatos escolhe o caminho mais fácil: lavar as mãos, fazer a vontade da maioria e assim receber o apoio popular que faltava ao seu poder despótico. É o fácil caminho da indiferença diante da dor dos outros, da rápida incriminação dos lutadores, da alegre bajulação dos poderosos, da arrogante pretensão de ser o único artífice do próprio bem-estar. Aquele que o povo simples havia saudado na entrada da cidade como quem vinha e agia em nome de Deus, permanece fiel e acaba preso, abandonado pelos próprios discípulos, condenado e pregado na cruz. A cruz era considerada um lugar absolutamente vazio da presença de Deus, a negação mais absoluta de qualquer forma de liderança, sinônimo de horror, de fracasso, de culpa, de impotência, de abandono. Tanto para os fiéis judeus como para os soldados romanos, mas até para os discípulos, a crucifixão representava a completa negação do ser humano, a mais radical falta de sentido. Por isso, a provocação dos soldados faz sentido: “O Messias, o rei de Israel... Desça agora da cruz para que vejamos e acreditemos”. Ele não desce, porque não veio para ser servido e bajulado, mas para servir... Deus Pai-Mãe, compassivo e misericordioso. Nós te louvamos e agradecemos
pelo dom da vida, pelo amor com que cuidas de toda a criação. Em sua misericórdia, teu filho se fez servidor dos empobrecidos e sofredores, e despertou neles a esperança de vida plena e exuberante. Envia-nos teu Espírito. Que ele guie a tua Igreja e a converta, a fim de que ela seja sempre mais anunciadora e ouvinte da tua Palavra, servidora e missionária. E não se furte de dar sua contribuição para que sejamos um país civilizado e justo, uma nação na qual todos os cidadãos sejam reconhecidos em sua dignidade. Assim seja! Amém!

 Itacir Brassiani msf

PARA VÓS NASCI - V CENTENÁRIO DE TERESA DE JESUS N. º 4



Vossa sou, para Vós nasci,
Que mandais fazer de mim?

Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, pois me redimistes,
Vossa, pois que me sofrestes,
Vossa, pois que me chamastes,
Vossa, porque me esperastes,
Vossa, pois não me perdi,
Que mandais fazer de mim?

Amanhã o Carmelo do mundo inteiro com toda a Igreja e com toda a humanidade celebra os 500 anos do Nascimento de Santa Teresa de Jesus, cujas celebrações se estenderão até o dia 15 de outubro deste ano, pois neste dia se celebra a sua solenidade como Santa Doutora da Igreja e fundadora do Carmelo Descalço.

Vamos à meditação deste verso!
Vossa sou, pois me criastes. Teresa sente-se de Deus pura e simplesmente, pois Ele a criou. Somos na verdade, todos Dele e temos tão pouca consciência disso, vivemos no mundo dos ruídos, ao invés de nos fixarmos no mundo do silêncio orante, meditativo e reflexivo desta bela e confortadora verdade: Somos de Deus, pois Ele nos criou.
Vossa, pois me redimistes. Ela é de quem a redimiu, de Jesus Cristo. Teresa vai agradecer toda sua vida por este dom imenso da redenção de sua vida realizada em Jesus de Nazaré. Tanto assim que assume o sobrenome religioso de Jesus, Teresa de Jesus.
Vossa, pois que me sofrestes,
Vossa, pois que me chamastes,
Vossa, porque me esperastes,
Vossa, pois não me perdi,
Que mandais fazer de mim? Aqui nestas frases Teresa alega o que muito lamentou em sua vida, a longa espera que Deus fez dela, para ela ser totalmente Dele. Ela considerava-se grande pecadora, “mulher e ruim”, nos diz em seus escritos. Neste longo período de sua vida que antecede a graça da conversão em que ora com lágrimas diante de uma imagem muito chagada de Jesus atado a coluna na flagelação. Implora e suplica-Lhe que não se levantará antes que Ele lhe dê esta graça. Por isso diz que Jesus a sofreu, chamou e esperou, e enfim, respira aliviada e conclui: Vossa, pois não me perdi, que mandais fazer de mim?

Que todos nós possamos nos alegrar pela vida desta santa carmelita e reconhecer a ação de Deus em nossa história pessoal. Alguns nos damos logo ao Senhor, já na infância, outros mais tarde. O importante é todos chegarmos a Ele e dar-nos a Ele de todo coração para que sua obra de AMOR se realize em nós.

PARABÉNS, SANTA TERESA!!!

terça-feira, 24 de março de 2015

24 HORAS PARA O SENHOR

Das 17 h do dia 13 de março às 17 h do dia 14 do mesmo, nossa comunidade atendeu ao apelo do Papa Francisco  de nos colocarmos em oração pela humanidade. 
Durante a noite as irmãs se revesaram em vigília de oração diante do Santíssimo Sacramento que ficou exposto até a hora da missa do dia seguinte, às 17 h. 
Desde às 7 h do dia 14 a capela ficou aberta para as pessoas da comunidade e cidade participarem desta oração silenciosa, suplicante ao Senhor, doador de todos os bens, amigo de toda pessoa humana.


segunda-feira, 23 de março de 2015

PALESTRA NO RETIRO QUARESMAL DE PE. FÁBIO CÉSAR JUNGES

Nos dias 8 a 10 de março, nossa comunidade esteve de retiro por ocasião da quaresma para podermos estar mais próximos com o Senhor, rever nossa caminhada, orar pela humanidade e preparar-nos para a grande celebração da Páscoa: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
Na tarde do dia 10, Ir. Paula preparou-nos uma surpresa, às 14h30min todas nos reunimos no coro, a espera, em expectativa do que ia acontecer. A porta da capela se abriu, e passos ligeiros e decididos se dirigiram para o presbitério, era nosso querido amigo Pe. Fábio.
Inicialmente discorreu sobre o tema: "Páscoa a partir da Cruz e do Deus de Jesus". Só há Igreja porque há Cruz e Ressurreição. Falou-nos da importância de crucificar continuamente nossas compreensões, visões, modos de ser para ressuscitarmos. Na Cruz de Jesus morre Jesus, o Deus de Jesus, a Teologia de Jesus e a compreensão de Reino de Jesus. Jesus ao ser interrogado por Pilatos, não responde o que é a verdade. Ela vai se construindo, acontece na caminhada de fé do seguimento do discípulo de Jesus. Mudaram as concepções de ver a realidade, não temos todos a mesma compreensão sobre determinada coisa. Hoje vemos de um modo, amanhã nossa compreensão mudou, por que a vida e a caminhada são dinâmicas à luz do Espírito da Verdade, o Paráclito que nos acompanha. A caminhada da Quaresma são nossas crucificações para que na Sexta-feira Santa tudo morra e ressuscite algo novo com Jesus na Páscoa.
Refletiu também sobre a agitação que tomou conta de nossa sociedade, do pouco que as pessoas param para refletir, meditar, rezar.
Depois seguiu-se um diálogo com perguntas e exposições das irmãs.
Agradecemos ao Pe. Fábio sua disponibilidade em partilhar conosco e ajudar-nos em nossa meditação.




sexta-feira, 20 de março de 2015

QUINTO DOMINGO DA QUARESMA

Viver bem é doar a própria vida na luta pela vida dos outros.
Estamos entrando na última etapa da nossa caminhada de preparação para a grande festa da vitória da da solidariedade sobre a indiferença, do serviço sobre a prepotência, do servo sobre o senhor. Como o grupo de gregos do evangelho deste domingo, nas quatro semanas que passaram ouvimos falar de Jesus, e agora pedimos com insistência: “Queremos ver Jesus!” Estejamos pois muito atentos, sintonizemos bem nossos ouvidos e fixemos nosso olhar no mistério profundo que se desvelará progressivamente na semana-santa. O segredo de Deus se assemelha ao dinamismo da semente...
Jesus recém havia realizado um sinal impressionante, devolvendo a vida ao amigo Lázaro. Quando voltou a Betânia, Marta, Maria e o próprio Lázaro ofereceram-lhe um jantar de agradecimento, e Maria ungiu seus pés com um perfume precioso, sob o olhar reprovador de Judas e dos fariseus. Em seguida, Jesus foi a Jerusalém e entrou na cidade montado num jumento, acompanhado de uma multidão que o aclamava como Messias libertador. “Todo mundo vai atrás de Jesus”, constatavam contrariados os fariseus. De fato, as autoridades religiosas estavam preocupadas com a crescente fama de Jesus.
É nesse contexto que alguns crentes pagãos, excluídos da plena cidadania de Israel, chegando a Jerusalém para a festa da páscoa, afastam-se do templo e manifestam a Filipe o desejo de ver Jesus. Filipe não se sente em condições de dizer “vem e vê” (cf. Jo 1,46), e procura André. Juntos, Filipe e André comunicam a Jesus o desejo daquele grupo de estrangeiros. Enquanto as autoridades, que se consideravam os verdadeiros adoradores de Deus, procuram um jeito de prender Jesus (cf. Jo 11,57), os pagãos, tratados como crentes de segunda classe, manifestam o desejo de conhecê-lo...
É interessante notar a reação de Jesus frente ao pedido daqueles pagãos que desejam conhecê-lo. Ele poderia aproveitar a oportunidade para aumentar sua fama. Mas, ao contrário, desfruta do momento para desenvolver uma catequese profunda e exigente sobre o messianismo que ele assume. Jesus responde declarando que sua Hora está próxima e que logo mais sua Glória será plenamente conhecida. Essa Hora é a meta da sua vida, mas está envolta em mistério e provoca medo. A assinatura da nova aliança visualizada por Jeremias tem um custo que assusta o próprio Jesus.
A glória do Filho do Homem – assim como a glória dos filhos e filhas de Deus – está muito longe de se identificar com a fama e o sucesso. O brilho de Deus se assemelha ao mistério da semente. “Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto.” A conquista da fama e do poder de comadar e ordenar, em vez de ser portadora de glória, é caminho para a estirilidade e a solidão. Só o dinamismo de um amor que leva à doação de si mesmo a fundo perdido tem futuro e é digna de louvor. Mas este caminho nunca foi e não é fácil...
O que impressiona é que, no exato momento em que sua fama ultrapassa os estreitos limites do judaísmo, Jesus acenba para o mistério da semente, abre-nos seu coração e nos revela sua vulnerabilidade. “Agora estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, manifesta a glória do teu nome.” A possibilidade do martírio desestabiliza o próprio Filho de Deus, mas esse é o testemunho inequívoco de amor e o ápice da vida cristã.Este é o caminho que nos conduz à liberdade e a uma vida plena de sentido.
O Messias é vulnerável, e assumindo essa condição comum aos seres humanos, nos salva. A carta aos Hebreus diz sem titubeios: “Durante sua vida na terra, Cristo fez orações e súplicas a Deus em alta voz e com lágrimas ao Deus que o podia salvar da morte.” A assunção dessa condição humana foi sua obediência e sua perfeição. E é assim que ele se torna fonte na qual também nós podemos beber liberdade, salvação e vida plena.Jesus Cristo é o Messias de Deus que, inspirado no mistério da semente, mergulha fundo na debilidade humana e a assume como caminho de humanização.
Jesus de Nazaré: também nós desejamos te ver de perto, ouvir tua palavra, seguir teus passos. Tu és um profeta que se entrega sem reservas ao sonho de mudar o mundo erevelar o rosto de um Deus que é pai e mãe. Por isso, assumes a vulnerabilidade e a conflitividade, desces ao fundo da condição humana e aceitas ser elevado na cruz, entre criminosos desprezados. Imprime tua força em nosso coração. Renova tua aliança conosco. Ajuda-nos a sermos semente que aceita corajosamente a morte para frutificar abundantemente. Ensina-nos o que realmente significa obedecer ao Pai. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

sexta-feira, 13 de março de 2015

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA

Como Jesus, o discípulo vive para amar e para servir!
Não desperdicemos esta quarta e insuperável lição na escola da caminhada pascal. Começamos acompanhando Jesus no deserto e aprendendo a vencer as tentações. Subimos com ele no Tabor para apreder a lição da humildade e do serviço. Fomos com ele ao templo e pedimos que ele tire da nossa vida toda superficialidade, falsidade e autoritarismo. Neste quarto domingo da quaresma, peçamos que ele nos ensine a não lamentar débitos nem exigir créditos. “Vocês foram salvos pela graça”, insiste Paulo, e isso para que ninguém se encha de orgulho. Deus é misericórdia, e nos ama sem medida.
Um juíz implacável, impassível, sem coração, sempre pronto a defender a lei e a pronunciar sentenças irreversíveis: essa é a imagem de Deus que muitos cristãos têm e pregam. Mas, no Evangelho deste domingo, Jesus diz claramente que Deus enviou seu Filho ao mundo para salvá-lo, para conduzi-lo à vida, e não para condená-lo. A gratuidade do amor de Deus é que nos salva. Precisamos experimentar e testemunhar o Evangelho do serviço no contexto da luta por um Estado que evite e combata a corrupção e que se coloque a serviço do bem comum, da dignidade dos mais pobres.
Como nos custa entender que Deus não se deixa guiar pela lógica do poder, da indiferença, da punição... É incrível a facilidade com que os homens (sim, no gênero masculino!) que dirigem nações e igrejas e se apresentam como procuradores da justiça e de Deus sentam na cadeira como juízes, cadeira que o próprio Jesus recusou. Com que frequência nos escondemos por trás de máscaras de benfeitores e imparciais, prontos a denunciar o cisco no olho dos outros sem darmo-nos conta do nosso próprio lixo... Definitivamente, não é esta a postura e o Evangelho de Jesus Cristo!
O rosto do Messias enviado por Deus e feito carne em Jesus de Nazaré é otro, sua prática é diferente e aponta outros caminhos. Ele recusa a cadeira de juiz e se senta ao lado dos acusados, como aliado e defensor. Isso é evidente desde a estrebaria, onde os pastores desprezados foram os primeiros a visitá-lo, até a cruz, quando o próprio Jesus foi trocado por um condenado e compartilhou o calvário com outros dois. O Filho de Deus desceu todos os degraus e veio ao encontrodo ser humano no nível mais baixo, no lugar de culpado e de devedor. E o fez de braços abertos, acolhendo e servindo a todos.
O que deve nos impressionar não é o fato de que Jesus tenha subido ao céu, masque Deus tenha descido definitivamente à terra. E ele desceu tanto que, mais que assumir a frágil e contraditória condição humana, assumiu a carne dos condenados para declará-los justificados. Em Jesus, Deus desceu tanto, que entrou solidariamente no inferno vivido pelos condenados a uma vida que tem mais parece um lento processo de morte. Desceu tanto que o levantaram numa cruz! É para esse homem, levantado na cruz dos malditos e entre dois condenados, que somos chamados a voltar nosso olhar.
Jesus diz que “Deus amou de tal forma o mundo que entregou seu Filho único...” Ele ama o mundo em sua globalidade, sem distinguir culpados ou inocentes, homens ou mulheres, devedores ou merecedores. Em Jesus Cristo a glória de Deusse manifesta de forma clara e inequívoca, e essa glória não é outra coisa que o amor que se faz dom e acolhida sem nenhum tipo de condição ou exigência. Ele nos deu a vida “quando estávamos mortos por causa de nossas faltas”, sublinha Paulo.Em Jesus Cristo a libertação é radical, gratuita e incondicional, mas é também geradora gratuidade.
Este rio de graça, este Sol de justiça que nos vem de Deus em Jesus Cristo começa a agir desmascarando nossos pretensos merecimentos, avança revelando nossa verdade mais profunda e termina capacitando-nos a agir como homens e mulheres novos. “Fomos criados para as boas obras” diz São Paulo, e precisamos nos ocupar delas. Crer é aderir à proposta de Jesus. E aderir a Jesus Cristo significa crer na dignidade inerente a cada pessoa humana e nas suas possibilidades positivas, e esse é o caminho da vida.Não temos outro caminho que possa nos levar com segurança à vida e à liberdade.
Deus pai e mãe, lento para a cólera e rico em misericórdia: Como é imenso o amor com que amas a nós e ao mundo! Enviaste teu filho amado para que, sendo por ele servidos, aprendêssemos a servir com a mesma generosidade! Dá-nos um amor intenso, lúcido e servidor, a fim de que sejamos capazes de dar continuidade a este dinamismo que salva e renova mundo, empenhando-nos na defesa do bem comum. Não permitas que sentemos e choremos passivamente nossos desterros, mas coloca-nos a caminho para reconstruirmos o mundo na força do teu amor. Amém! Assim seja!

Pe. Itacir Brassiani msf