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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 3 de dezembro de 2016

2º DOMINGO DO ADVENTO

Preparemos o Natal semeando e cultivando a Esperança!
Resultado de imagem para 2 domingo do advento 2016O profeta Isaías nos ajuda a entender que a esperança dos cristãos vem a partir de baixo da pirâmide social e das margens dos sistemas de poder. Num tempo em que Israel vivia a tragédia de uma monarquia que dava às costas ao povo, sufocando seus direitos sob o rumor ritmado das botas do exército, Isaías convida este mesmo povo a fixar seu olhar em algo que está por acontecer: “Um broto vai surgir do toco que restou de Jessé... Ele julgará os fracos com justiça, dará sentenças em favor dos pobres da terra... A justiça será o cinto que ele usa, a verdade o cinturão que ele não deixa...”
Parece incrível, mas o profeta diz que não se deve esperar mais nada da monarquia, que é preciso voltar ao toco de Jessé, ao pai de Davi, às origens populares da liderança. O futuro não está nas mãos do sucessor de plantão, mas nas iniciativas promissoras e alternativas de uma comunidade-broto que se deixa inspirar pelo Espírito de Javé, que afirma o direito dos fracos e humilhados, que só é implacável com os opressores. Nesse povo-novo não há relações violentas ou dominadoras: o lobo hospeda o cordeiro, o leão dorme ao lado do cabrito, as crianças brincam tranquilamente com as serpentes...
Resultado de imagem para 2 domingo do advento 2016João Batista retoma este sonho de Isaías e diz que a realização dessa utopia não está longe. “O Reino dos céus está próximo!” Na verdade, o reinado de Deus já está em ação, e pede que entremos no seu dinamismo. É porque Deus está fazendo novas todas as coisas que precisamos converter-nos. O dinamismo da conversão parte da boa notícia de que Deus continua dando seu aval aos anseios mais caros e preciosos da humanidade. Em tempos de Advento, a conversão se expressa na alegre descoberta de que algo estupendo está acontecendo e pede a nossa colaboração!
Por isso, na linha da pregação de João Batista, a preparação para o Natal vai muito além de uma bela decoração das casas, ruas e templos. A esperança que nos anima não se baseia nos privilégios de classe ou raça, nem se reduz a algumas preces a mais ou a uma confissão rápida e superficial. Às elites religiosas, desejosas de manter a aparência de piedade e de correção sem mudar as práticas opressoras, João Batista grita: “Produzi fruto que mostre vossa conversão. O machado está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der fruto bom será cortada e jogada no fogo.” Restarão apenas todos secos...
Preparar os caminhos do Senhor em tempos de direitos humanos e sociais ameaçados significa afirmar o direito de toda pessoa à vida e à segurança, à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; proclamar que nenhuma pessoa pode ser mantida em escravidão, submetida à tortura ou tratada ou castigada de forma cruel, desumana ou degradante; garantir que toda pessoa possa participar da vida cultural da comunidade, fruir as artes e participar do processo científico e de seus benefícios; assegurar aos trabalhadores uma remuneração justa e satisfatória, que lhes assegure uma vida digna...
Resultado de imagem para 2 domingo do advento 2016Ancorado na própria experiência, Paulo a Palavra de Deus foi escrita para que sejamos fortalecidos e mantenhamo-nos firmes na esperança, considerando que de Deus nos vem a concórdia e a harmonia. Permanecer firme na esperança tem pouco a ver com a crença numa utopia intimista ou escapista. Nas palavras ousadas de Jesus, Deus reina quando os últimos se tornam os primeiros e os primeiros passam para o fim da fila. A firmeza da esperança que nos mantém constantes é sustentada pela fé em Jesus Cristo crucificado e no Reino que ele anunciou, celebrou e realizou.
Pedindo nosso empenho pessoal no entendimento e na acolhida recíproca, Paulo nos exorta à vivência da acolhida e do entendimento entre os diferentes: católicos e evangélicos, cristãos e não cristãos, crentes e ateus engajados na construção de um outro mundo. Tendo como que um só coração e uma só voz, glorificaremos o Deus e Pai de Jesus Cristo, aquele que vem ao nosso encontro em Belém. Pessoas e grupos diferentes são todos vocacionados a glorificar e servir a Deus, cada um a seu modo!  Será que os sonhos e as dores compartilhadas, como essa da tragédia que abateu inteiramente a equipe de futebol da Chapecoense, não têm força para colocar juntos até lobos e cordeiros, crianças e serpentes?
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Ó Pai, queremos renascer a partir de baixo, de mãos dadas com todos aqueles que nada contam para os grandes. Ajuda-nos a mudar nosso modo de ver e de pensar, os critérios de avaliação e as prioridades de ação. Convence-nos de que não podemos descansar enquanto todos os seres humanos não forem reconhecidos em sua dignidade e tratados como dignos membros da única família. Mediante a palavra e o testemunho de João Batista, convence-nos de que não podemos apelar aos privilégios sociais, culturais e religiosos, e ensina-nos a sonhar coisas novas, como sonhou e viu o profeta Isaías. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

sábado, 26 de novembro de 2016

1º DOMINGO DO ADVENTO

Preparemos o Natal revestindo-nos do Senhor Jesus Cristo!
Image result for adventoEis que inicia a preparação para a festa do Nascimento de Jesus, o rosto da misericórdia de Deus. Não esqueçamos que, de preparação para o Natal, ninguém entende mais que Maria, aquela de Nazaré. Ela não pensou em pinheirinhos, em luzes coloridas, em presentes e festas, nem mesmo em novenas. Depois de descobrir-se chamada a colaborar com o advento do mundo sonhado por Deus desde sempre, e depois de dar sua resposta madura e generosa, ela não perdeu tempo: viajou apressada ao encontro de Isabel para servi-la e para comprovar os sinais da visita de Deus no seu corpo e na história.
Na sua carta, Paulo pede que tenhamos consciência do tempo em que estamos e que despertemos, pois o tempo de graça e de paz, sonhado de geração em geração, está mais perto do que nunca. Será verdade? Os fatos não estão sinalizando exatamente o contrário? Nunca como hoje os direitos do povo estão sendo tão cinicamente ameaçados. Nunca como agora o mar Mediterrâneo se encheu de cadáveres de migrantes desesperados, sob o olhar indiferente do mundo ocidental. Nunca como nesta época de mercantilização da vida o desejo de mudança foi engolido ou anestesiado pelo desejo de consumo...
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Não, Paulo não está delirando! Ele sabe que quem conhece a importância do momento que vive e sabe que o Dia está chegando, é capaz de despojar-se das ações que só prosperam nas sombras e nas trevas: a insensibilidade diante do sofrimento dos inocentes, o acovardamento diante do cinismo dos poderosos, a indiferença frente ao assalto aos direitos sociais mais elementares, a sede de prosperidade e bem-estar individual a qualquer custo, as brigas e guerras sempre irracionais, as festas e orgias que se multiplicam e insultam o crescente e criminoso empobrecimento de setores cada vez mais numerosos...
A verdadeira preparação para o encontro com o Senhor que vem se faz quando nos despojamos dos trajes vistosos que mal escondem sangue e clamor e nos revestimos do Senhor Jesus Cristo. Preparamo-nos para o advento do Reino de Deus trocando a roupa, tão burlesca como mentirosa, do Papai Noel e nos revestindo com os trajes surrados e autênticos de Jesus de Nazaré, o profeta da Galileia. Por mais simpático que queiram fazê-lo, o Papai Noel não passa de promotor de vendas de um mercado sedento de lucros, um vendedor de ilusões que nos embriagam e nos mantém adormecidos!

Revestir-se de Cristo significa fazer nossos os seus sentimentos, pensamentos e projetos. E ele viveu sua missão de enviado e amado do Pai eliminando as distâncias que separam pessoas, desfazendo as hierarquias que elevam uns sobre outros, compartilhando a mesa rejeitada pelos que querem sentar-se no tribunal como juízes, exercitando a compaixão quando muitos desejam a punição, repartindo tudo quando alguns não pensam senão em acumular, fazendo-se humano quando muitos pretendem ser divinos, abraçando a cruz e a anulação de si mesmo quando a maioria deseja apenas sucesso e a fama...
Image result for adventoSim, o Natal de Jesus e a vinda do seu reino nós os prepararemos permanecendo acordados, atentos e comprometidos. Segundo o evangelista, o próprio Jesus nos lembra que os contemporâneos de Noé não souberam avaliar o que estava germinando sob o próprio nariz e distraíram-se com festas, comidas e bebidas, o mesmo modo de preparar o Natal que o Mercado nos propõe hoje. Precisamos ficar atentos e alertas, porque não sabemos o dia em que o Senhor virá a nós, onde armará sua tenda e com que trajes baterá à nossa porta. Não nos enganemos pensando que ele nascerá em Belém, no dia 25 de dezembro...
“Ficai atentos! Ficai preparados! Já é hora de despertar! Deixai-vos guiar pela luz do Senhor! Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo!” Estas são palavras que ecoam com força e nos ensinam o modo correto de ir ao encontro do Cristo que vem. Precisamos transformar as espadas em enxadas, os fuzis em foices, os muros em pontes, os confrontos em abraços, o consumo em compaixão... Enfim, substituir ‘o bom velhinho’ pelo Deus Menino! Precisamos deixar-nos mover pelo ardente desejo de viver o Reino de Deus, acorrendo com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem. E isso sem perder o senso de urgência dessa mudança de rumo e de práticas. Ele pode vir no momento menos esperado...
Image result for adventoEnsina-nos, Jesus de Nazaré, a trilhar o caminho que conduz ao encontro contigo. Ajuda-nos a viver acordados, lúcidos e solidários as quatro semanas de Advento que se abrem diante de nós. Dá-nos um olhar límpido e inteligente, capaz de ver onde, como e quando teu Reino está germinando e pedindo nossa colaboração. Desperta em nós a coragem e a criatividade necessárias para transformar espadas em enxadas, lanças em foices, indiferença em compaixão, presentes em presença. E que não sejam desiludidos os pobres e desamparados que esperam somente em Ti! Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

sábado, 19 de novembro de 2016

SOLENIDADE DE CRISTO REI

Jesus Cristo é um ‘rei’ pobre, misericordioso e servidor!
Image result for cristo reiHá mais de 50 anos atrás, durante o Concílio Vaticano II, o saudoso e profético Dom Helder Câmara escrevia, de Roma, aos seus colaboradores: “Celebrei a missa de Cristo Rei. Claro que ele é Rei. Mas de uma realeza tão diferente, que eu me angustio ao ver que, de certo modo, exploramos a realeza dele para justificar inconscientemente a nossa. Durante a missa, pensei o tempo todo no pobre Rei, com estopa nas costas e coroado de espinhos. E fiquei repetindo baixinho: ‘Meu pobre Rei, para mim você é (o mendigo) Luciano’. Dependesse de mim e criaríamos uma festa nova: a festa de Cristo Servidor e Pobre”.
Ainda hoje, as imagens do poder continuam exercendo sobre uma irresistível sedução sobre muita gente. Muitos experimentam uma espécie de êxtase quando têm a oportunidade de se aproximar de um chefe de estado, de um rei ou príncipe, de um ídolo do esporte, de um cardeal ou do Papa. Mas os Evangelhos nos previnem severamente contra os riscos de uma aproximação ingênua entre Jesus Cristo e um rei ou um destes ídolos famosos e poderosos. Quem identifica Deus com os reis, príncipes e sacerdotes acaba olhando o Cristo crucificado e os excluídos de todos os tempos sem entender nada.
É verdade que Jesus anunciou algo como um reino ou reinado de Deus. Ele mesmo foi aclamado como descendente do rei Davi, como o Messias e o rei esperado. Mas isso nada tem a ver com a figura dos reis e chefes que a história nos deu a conhecer, pois alguns deles assassinaram os próprios familiares para alcançar o trono. A referência a Davi expressa a esperança de uma liderança nova e popular, de um líder humilde e corajoso na defesa dos injustiçados, nos moldes do frágil e rejeitado filho de Jessé, excluído pelo próprio pai da festa dos filhos e herdeiros (cf. 1Sm 16,1-13).
Image result for cristo reiJesus anunciou e colocou em ação o reinado de Deus. Deus reina quando os coxos andam, os cegos veem, os mudos falam, os presos conquistam a liberdade, os oprimidos adquirem a cidadania, os mortos ressuscitam e os pobres recebem boas notícias. Deus reina na medida em que homens e mulheres superam as relações de dominação e exercitam a liberdade e a solidariedade. Jesus realiza o reinado de Deus esquecendo-se de si, fazendo-se irmão e servidor de todos, prioritariamente dos últimos na escala social. Ele renunciou à igualdade com Deus, despojou-se de tudo e assumiu a vida humana e a posição social dos escravos. E é por isso que o mundo inteiro deve fazer reverência diante dele.

A cena descrita por Lucas no evangelho de hoje nos apresenta Jesus crucificado entre dois condenados à morte. Toda a sua vida foi uma proclamação viva de um Deus que acolhe os últimos e faz justiça aos oprimidos. Pregado na cruz entre dois condenados, Jesus proclama silenciosa e inequivocamente a solidariedade de Deus com os excluídos e põe em ação o reinado de Deus. Enquanto os reis e príncipes se afastam dos homens e mulheres e os consideram desprezíveis, Jesus compartilha a sorte dos condenados e os acolhe no seu reinado. Certamente esse não é um rei muito convencional.
Por isso, o Cristo pendente da cruz permanece uma espécie de espada que penetra nossa fé até à medula e incomoda a Igreja e seus chefes. E não passam de fuga e de traição as tentativas de substituir os espinhos por uma coroa de ouro e a cruz por um trono glorioso. É nesta condição de condenado e de proscrito, de quem compartilha a condição dos desclassificados, que Jesus nos livra das trevas do poder impostor e é o primogênito da humanidade regenerada, a cabeça da Igreja seu corpo, o príncipe das mulheres e homens libertos. A ele podemos pedir: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reinado!”
Enquanto expressão mais radical da proximidade e da solidariedade de Deus com a humanidade discriminada, Jesus é potente e eloquente sacramento da humanidade renovada. É entregando-nos a vida como dinamismo e força de uma compaixão que regenera que ele nos salva. É compartilhando a humana carência que ele conquista a plenitude pela qual todos anelamos. E é fazendo-se em tudo irmão e servo que ele resgata a dignidade da verdadeira autoridade. É na boca de um dos companheiros proscritos e condenados que ressoa a proclamação da inocência de Jesus: “Ele não fez nada de mal.”

Diante de ti, Jesus de Nazaré, e dos irmãos que estão à tua direita e à tua esquerda, reconhecemos a loucura dos nossos desejos de poder e de glória, e te suplicamos: elimina do nosso coração e da tua Igreja estas pretensões descabidas e o medo que elas escondem. Reveste-nos da tua corajosa compaixão e guia-nos no caminho da solidariedade com os últimos, a fim de que sejamos apenas mas sempre Servidores dos mais pobres, multiplicando sinais luminosos e efetivos do teu reinado ativamente presente na compaixão. Só assim contribuiremos para que reines, e seremos realmente teus irmãos e irmãs. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

VISITA DE DOM CLEMENTE

 Tivemos a grande alegria da visita e celebração com nosso Bispo emérito Dom Clemente Weber no dia 16 passado. Aproveitamos para celebrar a festa do Santos Mártires das Missões do qual será no próximo dia 19, sábado, com a Romaria ao Santuário do Caaró no Domingo. Dom Clemente sempre com sua serenidade e alegria deixou uma linda mensagem de esperança e fé e lembrou várias vezes com entusiasmo que esta é a sua Diocese e que mesmo não estando morando aqui sempre guarda em seu coração e na oração todo o povo desta cidade e Diocese do qual trabalhou vários anos. Obrigada Dom Clemente pela visita e por sua oração.












sábado, 12 de novembro de 2016

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM


COMO CONSTRUIR O REINO DE DEUS EM TEMPOS TÃO DIFÍCEIS?
Jesus não se deixa enganar pelo gesto meticulosamente pensado dos ricos que versam volumosas esmolas, banhadas de sangue, no tesouro do Templo, e critica a exploração que elas encobrem. Mas alguns discípulos se extasiam diante da grandiosidade dos muros e das ofertas... Será que imaginam que Deus vem a nós montado no poder e sua glória repousa nos templos suntuosos? Será que a eternidade e a estabilidade são privilégios do poder e da grandeza? Será que o amor humilde e perseverante carece de brilho e de esplendor? Será que os últimos serão sempre os últimos?
Para Jesus, o futuro não é uma simples reprodução potencializada dos horrores e injustiças do presente. Segundo o profeta Malaquias, no projeto de Deus há um ‘dia do Senhor’, um dinamismo semelhante ao fogo que queima como palha o atrevimento daqueles que praticam injustiças: deles não sobrará nem raízes, nem ramos. Mas, para os oprimidos, este dia surge como sol depois de uma tempestade, fazendo-os saltar de alegria. A força de Deus que age mediante pessoas, grupos e comunidades frágeis e perseverantes reduzirá a nada as grandezas erguidas com o sangue e o suor dos pobres.
Jesus não se impressiona com a aparente estabilidade do Templo. “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.” Ele não prevê uma vingança do destino, nem algo que acontecerá independente da ação humana. Quem crê nesta Palavra se liberta da sedução das grandes coisas e, na mesma medida, começa a desestabilizar os podres poderes na sua própria base. Mas, em nenhum momento Jesus nos assegura que esse caminho será fácil, pleno de êxito e de glória. Ao contrário, ele insiste que a luta é grande e difícil. O que ele faz é assegurar sua presença ao nosso lado.
Viver na nostalgia e na expectativa dos grandes eventos, momentos e monumentos é contrário ao espírito de Jesus. O caminho daqueles que levam em seu corpo as marcas do crucificado é o único capaz de transportar vida e garantir fidelidade à Igreja do Senhor. Mas precisamos ficar atentos, pois, nos momentos de crise, quando os caminhos se bifurcam e os poderes estabelecidos inventam novas formas de opressão, costumam surgir mensageiros que se apresentam como libertadores, propondo estranhos caminhos de salvação e assegurando que ela está à porta.
Jesus pede que não sejamos ingênuos, e diz claramente: “Não andeis atrás desta gente!” Não podemos dar crédito a mensagens e mensageiros alheios ao Evangelho, que passam à margem da compaixão com os pobres e da humildade da semente de mostarda. E isso mesmo quando tais mensagens e mensageiros vêm do interior da Igreja e revestidos de ostensiva piedade. Não podemos seguir aqueles que nos distanciam de Jesus Cristo e seu Evangelho, fundamento e origem da nossa fé. Não podemos ceder a propostas de fuga dos conflitos e de espera passiva da intervenção de Deus.
Os tempos difíceis não são para suspirar, lamentar e desanimar. É verdade que somos tentados a pedir demissão da condição de discípulos missionários ou a lançarmo-nos afoitos na restauração de estruturas caducas que parecem nos garantir segurança. Jesus aponta para uma direção diferente. Nos tempos difíceis e contraditórios é preciso aprofundar as raízes, ampliar os horizontes, identificar o que é essencial e inegociável. O planejamento da própria defesa não pode consumir nossas melhores energias! Insegurança, marginalização e perseguição não são sinais de fracasso, mas convites a anunciar o Evangelho com a vida. “Será uma ocasião para dardes testemunho...”
Cada geração tem seus próprios problemas e desafios. Sem perder a calma, precisamos encontrar a forma adequada de testemunhar aquilo que cremos e esperamos. Não precisamos sonhar com heroísmos que ultrapassam as nossas forças, nem com defesas e seguranças que impedem que nos tornemos adultos na fé. Não podemos sacrificar a vocação profética no ambíguo altar da apologética.  Jesus não promete vida fácil para quem segue seus passos. A vitória e o sucesso são meras possibilidades, mas a perseverança na luta é uma obrigação.

Jesus, sonhador indomável, verbo eloquente e profeta perseguido: fica conosco nestes tempos difíceis, de ruína e de reconstrução do mundo, da Igreja e do Brasil. Ensina-nos a viver a fé, a cultivar um estilo de vida paciente e tenaz, liberto e criativo, que nos ajude a responder aos muitos desafios sem perder a serenidade, nem a lucidez e a coragem.  Ajuda-nos a construir o mundo que sonhaste nas situações adversas nas quais vivemos, sem medo, sem passividade e sem ingenuidade, esperando como se tudo dependesse de ti e sendo criativos como se tudo dependesse de nós. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf