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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 18 de fevereiro de 2017

7º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 Jesus nos apresenta um caminho inusitado mas seguro para de felicidade, de plena realização das aspirações humanas mais profundas, para a santidade. Trata-se de buscar a perfeição ou o jeito de ser do próprio Deus – somos criados segundo ‘sua espécie’! – evitando a tentação de construir uma ideia de Deus à nossa imagem e semelhança, delimitada e desenhada pelos nossos medos e interesses. Embora este caminho nos pareça um pouco estranho e dissonante, o próprio Jesus o viveu em primeira pessoa, demonstrando que é um projeto necessário e viável.
No evangelho desse domingo, Jesus responde à pergunta sobre como reagir frente às situações de violência e seus agentes. Ele conhece bem a lei judaica que, para limitar uma violência reativa e desproporcional à violência sofrida, propõe não passar do “olho por olho” e do “dente por dente”. Por mais estranho que nos pareça, a lei de talião representa um avanço em relação à lei que facultava a reação violenta e desproporcional do mais forte e ferido sobre os mais fracos. Jesus aponta os limites deste preceito: pagar com a mesma moeda não erradica a violência que ofende, machuca e mata.
Jesus ensina e pede para não reagirmos com violência à ação dos violentos. Mas ele vai mais além, ilustrando e concretizando sua proposta de não-violência ativa em três situações: o tapa no rosto, ato de humilhação considerado um direito dos superiores; o processo de penhora da roupa de um pobre endividado, visto como direito dos credores; a obrigação de acompanhar a marcha dos soldados a serviço do império, carregando às costas as armas que se voltavam contra o próprio povo. Mas, atenção! A proposta de Jesus não tem nada a ver com submissão e passividade!
Resultado de imagem para 7 domingo do tempo comumOferecer a outra face significa permanecer senhor de si e desafiar a legitimidade de um sistema projetado para humilhar. Dar o manto a quem penhora a túnica (desnudar-se publicamente!) significa revelar a humanidade que a todos irmana e denunciar a avareza violenta e espoliadora dos credores. Caminhar o dobro do percurso que o soldado servil determinou significa não aceitar o jogo do império, questionar a hierarquia, tomar a iniciativa e decidir a ação. Por isso, parece claro que a proposta de Jesus tem como meta eliminar o círculo vicioso que liga as ações e reações violentas.
O fato o é que sempre classificamos as pessoas e dividimos o mundo em amigos e inimigos. Amamos e respeitamos os que estão próximos e alimentamos suspeitas ou somos indiferentes em relação aos estranhos. O conceito próximo abrange uma certa diversidade de gênero, riqueza, parentesco e etnia, e a imagem do inimigo não se limita aos adversários nacionais ou aos membros de outras religiões, mas se estende a todos os oponentes pessoais. É aqui que entra o mandamento de Jesus: nosso amor não pode se restringir aos iguais, aos próximos, mas deve chegar aos estranhos e distantes, até aos inimigos.
Talvez hoje situemos entre os inimigos (reais ou potenciais) as pessoas e grupos que ameaçam nosso bem-estar e nossos privilégios ou questionam nossa supremacia em termos de competência, gênero, religião, cultura, etc. Pedindo que amemos nossos inimigos e até rezemos por aqueles que nos perseguem, Jesus está sublinhando que condição social, a etnia, o gênero e a religião não podem ser limites que restringem o dinamismo do nosso amor. O amor entre os iguais pode ser egoísmo! Rezar por quem nos persegue significa clamar pelo fim da opressão e das estruturas que as sustentam! Amar o inimigo significa ir além do que ele é hoje e amar aquilo que ele pode ser: irmão e parceiro!
Resultado de imagem para 7 domingo do tempo comumJesus resume sua proposta ética e espiritual numa frase: “Sejam perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” A perfeição do Pai faz com que a chuva beneficie tanto os justos como os injustos e o sol ilumine tanto os bons quanto os maus. Ser perfeito como o Pai celeste significa não impor condições nem ter reservas, ser inteiro e verdadeiro em tudo e com todos, pois, como nos lembra Paulo, todos – nós, os outros, a comunidade eclesial e a comunidade humana! – somos santuários de Deus e templos do Espírito Santo. Que ninguém ponha sua gloria no próprio grupo, etnia, gênero, igreja, religião!
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Jesus, mestre e servidor da liberdade, de todas as liberdades: ajuda tua Igreja a vencer o medo da liberdade e da verdade que viveste e ofereceste a todos. Faz que nossas comunidades sejam laboratórios nos quais as pessoas de boa vontade se exercitem no respeito e na promoção da dignidade de todos os teus filhos e filhas, inclusive no amor aos inimigos. E dá-nos a sábia loucura que espanta os doutores mas seduz as pessoas que não sacrificaram sua humanidade no altar do egoísmo predatório. Queremos ser filhos do teu e nosso Pai, generosos e perfeitos na misericórdia e na compaixão solidaria! Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

VOCAÇÕES PARA A COMUNIDADE

No dia 12 nossa comunidade se alegrou com a entrada para experiência de Elisandra Pereira da Silva que deseja descobrir a vontade de Deus para ela no seguimento de Jesus como Carmelita. São três meses de convivência com as irmãs na clausura participando de todos os atos comunitários e aprendendo os valores do Carmelo pela instrução e convivência.
Na porta da clausura a Madre e as irmãs acolherem com um abraço e em procissão cantamos "Me chamaste para caminhar na vida contigo, decidi para sempre seguir-te não voltar a trás.."
Partilhamos umas fotos deste momento bonito da comunidade e da Elisandra que não faltou emoção.






















sábado, 11 de fevereiro de 2017

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM

A Justiça do Reino de Deus é mais que cumprimento de leis!
A pedagogia libertadora de Jesus desvela o sentido profundo e as implicâncias concretas das Escrituras na nossa vida cotidiana. Jesus nos propõe uma justiça mais séria e mais humana que aquela ensinada e praticada pelos escribas e fariseus. “Não penseis que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento.” Diante de João Batista, Jesus já antecipara sua visão da lei e dos costumes: “Devemos cumprir toda a justiça!” (3,16). Paulo chama isso de “misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida”, sabedoria que nenhum dos poderosos deste mundo conheceu...
No evangelho deste domingo, Jesus propõe duas ênfases na leitura e na interpretação das Escrituras Sagradas. A primeira é a vinculação das Escrituras ao sonho de Deus, ao seu projeto de vida abundante para todos, com clara prioridade aos que são tratados como ‘últimos’ na escala social. Quando este vínculo é rompido ou enfraquecido, as Escrituras podem produzir o contrário daquilo que Deus quer transmitir: justificação do poder dos poderosos; ocultamento das relações de opressão; aumento do fardo que penaliza os mais fracos da sociedade; afirmação orgulhosa dos crentes diante do próprio Deus.

A segunda ênfase proposta por Jesus é a estreita ligação entre escutar, ensinar e praticar as Escrituras. Para Jesus, estava claro que os escribas e fariseus tinham se apropriado da compreensão das Escrituras mas não estavam dispostos a fazer a passagem da compreensão intelectual à ação responsável. E esta continua sendo a grande tentação que ronda os teólogos e dirigentes religiosos. A advertência de Jesus Cristo é clara e inequívoca: “Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.”  E, dito isso, Jesus passa a alguns exemplos concretos.
Um primeiro exemplo da radicalização da Lei e da concretização das bem-aventuranças há pouco proclamadas solenemente está no campo das tensões nas relações interpessoais. Esta questão era já contemplada pelo mandamento “Não matarás!” Mas, para Jesus, o conteúdo desta lei não se resume em evitar o homicídio. O projeto de Deus é muito mais amplo, e passa pela pacificação das relações e pela superação das posturas raivosas e da linguagem eivada de desprezo, preconceito e violência, como aquela usada recentemente nas redes sócias em relação à enfermidade e morte da esposa do Lula...
Uma segunda área de demonstração é a liturgia. Jesus critica o culto que ignora as rupturas nas relações humanas e não impulsiona à reconciliação. Para ele, a vida concreta é mais importante que os ritos religiosos, e a percepção das tensões e rupturas relacionais tem primazia sobre a ortodoxia. “Deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão.” E que ninguém se engane, sentindo-se justificado por não ter matado ninguém ou postergando para um futuro indefinido a reconciliação. É preciso fazer isso antes de chegar ao tribunal do incerto fim da vida...
Jesus prossegue com duas novas exemplificações da ética do Reino, agora no âmbito das relações homem-mulher. O primeiro exemplo focaliza a questão do adultério, e afirma que a lei tem a função de educar para uma relação que não seja possessiva. “Quem olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério...” Jesus sabe que o dinamismo que sustenta comportamentos sexuais descontrolados é sutil: passa do olhar viciado e interesseiro, que não reconhece a dignidade da pessoa, à mão que se apossa e manipula. Jesus insiste que é preciso cortar o mal pela raiz...
Ainda nesse âmbito da relação de gênero, Jesus reprova a dominação masculina sobre a mulher, mesmo quando vem sancionada pela cultura e pela lei. Dizer que a lei permite ou que é costume não desculpa nem justifica. Este é o horizonte da proposta de Jesus no caso do divórcio. A permissão legal do divórcio legitimava o descompromisso do marido com a ex-companheira e garantia ele o direito de maltratá-la e execrá-la publicamente, mas a ética do Reino de Deus restringe o poder ilimitado e violento dos homens. E Jesus prossegue, com exemplos no âmbito da comunicação, sublinhando que a sinceridade deve estar acima de tudo, que é melhor uma amarga verdade que uma doce mentira ou falsidade...
Resultado de imagem para história de nossa senhora de lourdesJesus Cristo, mestre na formação de uma nova mentalidade e na construção de um mundo mais humano: ensina-nos a colocar as leis e tradições no seu devido lugar, e a não transformá-las em instrumentos de dominação ou descompromisso. Guia as tuas igrejas a uma justiça maior que o cinismo e a ostentação herdadas do farisaísmo. Que teu ensino e teu exemplo desenvolvam em nós relações pacificadoras, igualitárias e solidárias. E que teu Espírito suscite em nossas comunidades cristãs a criatividade livre e a liberdade fiel, sendas que levam à uma justiça radical e humanizadora. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

NOSSA SENHORA DE LOURDES

Resultado de imagem para história de nossa senhora de lourdesFoi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.

“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.
Resultado de imagem para história de nossa senhora de lourdesMaria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, e, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Nossa Senhora, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência.
Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja. Que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes. E os sinais, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local.
Lá, onde as multidões afluem, o clero e vários Papas lá estiveram. Agora, temos a graça de ter o Papa Francisco para nos alertar sobre este chamado.


Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!
Fonte santo do dia canção nova

sábado, 4 de fevereiro de 2017

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Vão pelo mundo e sejam uma luz que sempre brilha...”
Resultado de imagem para vos sois o sal da terra e a luz desse mundoAs metáforas do sal e da luz se prestam a diversas leituras, mas quando este ensino de Jesus é isolado do contexto literário acaba perdendo muito do seu sentido original, profundamente provocador. Por isso, é importante não esquecer que o breve texto do evangelho proposto para este domingo está situado na sequência das bem-aventuranças e antes da reflexão sobre o sentido permanente das escrituras. Faz parte do conjunto literário conhecido como “Sermão da montanha”, no qual Jesus apresenta aos seus discípulos a ética cristã, ou o caminho da felicidade verdadeira e duradoura.
O sal dá sabor, purifica e conserva os alimentos, e o faz desaparecendo, como ocorre com o fermento na massa. O sal realiza plenamente aquilo que dele se espera quando se desfaz: o que se experimenta é o sabor, o que se vê é que o alimento não se estraga, o que se percebe é a limpeza e a esterilização. Algo semelhante ocorre com a luz: nosso olhar não se volta a ela mesma, mas às coisas que ela ilumina. Não olhamos para o sol, mas nos deleitamos com as paisagens e rostos que ele desvela. Um punhado de sal fora dos alimentos não é comestível e olhar que se volta para a luz acaba cego...
Os discípulos e discípulas que vivem uma condição bem concreta de injúria e perseguição, que são os destinatários da última bem-aventurança, são agora chamados de sal da terra e luz do mundo. Dizendo isso, Jesus afirma que são as pessoas que promovem a paz, as pessoas que tem sede de justiça, as pessoas misericordiosas e coerentes, as pessoas mansas e lutadoras, e todas as pessoas que por isso sofrem perseguição as que iluminam caminhos, dão sabor à vida e conservam sua qualidade. Estas vidas bem-aventuradas purificam a história e mostram uma direção!
As imagens do sal e da luz lembram a identidade testemunhal, missionária e proativa dos discípulos e discípulas de Jesus. A luz deles deve brilhar para todos os homens e mulheres, vendo o Reino de Deus em ação, glorifiquem a bondade de Deus. Ter fome e sede de justiça, promover a paz e enfrentar perseguições são atitudes que refletem um posicionamento ativo, uma ação que incide sobre as nefastas forças das culturas e instituições que tendem a oprimir e marginalizar. Na visão do profeta Isaías, nossa luz brilha quando demonstramos compaixão e solidariedade com os oprimidos.
Por sua vez, Paulo, no texto da Carta aos Coríntios recortado e proposto para este domingo, nos recorda que o brilho do anúncio do mistério de Deus não está na linguagem elevada e exata, nem se alimenta do prestígio social ou das estratégias do poder de quem o anuncia. A luz e a força do Evangelho brotam de Jesus Crucificado por amor, da sua generosidade e compaixão pelos últimos da sociedade. E é também na proximidade que se faz presença solidária, mesmo quando acompanhada de fraqueza, receio e medo, que a pregação cristã brilha como luz e cumpre sua função de ser sal que dá sabor.
Resultado de imagem para vos sois o sal da terra e a luz desse mundo
A história testemunha que nem sempre os cristãos estiveram à altura dessa vocação. Efetivamente, o sal pode perder o sabor e a luz pode se esconder e até desaparecer. A pregação também pode adquirir ares de arrogância e de imposição que intimida e oprime. Mais que uma possibilidade remota, isso é fato historicamente comprovado e tentação que nos ronda permanentemente. Não é por acaso que já as primeiras comunidades cristãs, através do evangelista Mateus, fazem questão de nos lembrar e advertir: o que se pode fazer e esperar quando o próprio sal perde sua qualidade?
Quando a comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus esquece sua responsabilidade com a transformação do mundo, para que as iniciativas, projetos e instituições se subordinam à tarefa de produzir o bem-estar da comunidade humana, ou quando, por medo ou por preguiça, deixa de viver a ética das bem-aventuranças, perde o sabor e não serve para mais nada, nem para aquilo que chamam de santificação pessoal. É como sal arruinado ou como uma lanterna escondida debaixo de uma caixa. Infelizmente temos muito sal insosso e muita luz que perdeu o brilho e se refugiou em si mesma...
Resultado de imagem para vos sois o sal da terra e a luz desse mundoDeus querido, Pai e Mãe! Nós te agradecemos porque nos destes Jesus, Sal que dá sabor à nossa vida, Luz que revela a beleza e a dignidade de todas as tuas criaturas. Envia teu Espírito, para suscitar e manter a missão e o testemunho da tua Igreja em todas as circunstâncias, especialmente quando a perseguição assusta e o medo a leva a esconder tua preciosa luz. Ajuda nossas lideranças eclesiais a não fazerem média com os que oprimem e mudam leis e constituições para caçar direitos, e a não privar teu Evangelho do sal e do fogo que purificam. E concede às nossas comunidades aquela lucidez profética que lança luzes sobre os muitos sinais do teu Reino, que continua se aproximando, teimosamente. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf