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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 16 de março de 2019

2º DOMINGO DA QUARESMA


Resultado de imagem para transfiguraçãoO brilho atraente dos momentos de êxtase e dos grandes e festivos encontros, podem nos afastar da exigente missão de encarnar a fé na vida cotidiana.  A oração inicial da missa deste domingo nos convida a ouvir o Filho Amado do Pai, a purificar o nosso olhar e a buscar a verdadeira face de Deus. E Paulo nos adverte insistentemente, e em lágrimas: não nos comportemos como inimigos da cruz de Cristo, ou seja: não corramos atrás de facilidades, sucessos, prosperidades... Deus usa roupas de servo, porque essa é sua essência. Por isso, nada de tendas longe da luta por um mundo fraterno, casa de todos...
A cena do Evangelho de hoje é precedida por uma catequese muito exigente de Jesus aos discípulos. Depois de ter sido reconhecido formalmente por Pedro como “o Cristo de Deus”, Jesus acrescentara: “É necessário o Filho do Homem sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar” (Lc 9,22). E dissera, voltando-se aos que o seguiam: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a salvará” (Lc 9,23).
Parece que os discípulos não conseguem entender e aceitar este caminho proposto por Jesus. Sentem-se envergonhados e desconcertados diante de um Messias servidor e perseguido. Resistem a um caminho que os levará a ser companheiros dele no anúncio do Reino e na perseguição. Não passa pela cabeça dos discípulos carregar a cruz da rejeição e da criminalização, imposta a quem ousa se rebelar contra os poderes do Império. Eles lutam desesperadamente contra essa possibilidade. Segundo Lucas, esta luta interior dos discípulos se prolongava por mais ou menos oito dias.
É neste contexto que Jesus, pressionado pelos próprios discípulos, sente necessidade de se retirar para rezar e discernir o caminho que deve seguir para revelar o rosto do Pai e realizar sua vontade. Chama e leva consigo Pedro, Tiago e João, os primeiros discípulos que havia chamado a segui-lo, mas também os mais resistentes ao caminho que propunha e os mais aferrados às ambições de poder e à imagem de um Messias potente e vitorioso. Nesta cena, o medo e a resistência dos discípulos se mostra simbolicamente no sono, como aconteceria de novo mais tarde, no Jardim das Oliveiras (cf. Lc 22,45).
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O sono expressa o desejo de fugir, de dar as costas, de voltar atrás, de não escutar nada senão as próprias ideias e ambições. Os discípulos simplesmente não suportam escutar o diálogo de Jesus com Moisés e Elias, respectivamente, guia e profeta do povo, ambos duramente perseguidos e não muito bem-sucedidos. O diálogo é sobre o êxodo de Jesus que aconteceria mais tarde em Jerusalém, ou seja: o enfrentamento com os poderes opressores e a saída das malhas de uma religião estreita e sedenta de sucesso, discriminadora e opressora dos mais fracos. Essa conversa não interessava aos discípulos.
O trio resistente e sonolento é despertado pelo brilho de Jesus e seus convidados, não pelo conteúdo da conversa. A glória e o poder estão claramente no horizonte do interesse deles, tanto que desejam reter o tempo, separar os espaços e eternizar esta agradável visão. Estando todos atordoados e sem saber o que dizer, Pedro toma a iniciativa: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas...” Não lhes interessa acolher e compreender nem as palavras de Jesus, nem a memória do êxodo e da profecia. O que desejam é um lugar no qual possam encontrar paz e sossego, longe dos desafios da missão.
Mas a glória e o esplendor do poder não são expressões inequívocas de Deus e da realização da sua vontade. É a sombra tenebrosa de uma nuvem – imagem daquela nuvem que acompanhara o povo na caminhada através do deserto e envolvera a montanha na celebração da Aliança – que desfaz o entusiasmo dos discípulos e os conduz à verdade à qual resistem: “Este é o meu filho, o eleito. Escutai-o!” É a profecia e o serviço, e não as vestes de glória, que manifestam o esplendor de Deus.
Resultado de imagem para transfiguraçãoJesus de Nazaré, companheiro de Moisés e de Elias, filho amado do Pai. Por vezes tua liberdade nos causa vertigens e tua compaixão nos assusta. Ajuda-nos a contemplar teu rosto nesta terra povoada de gente que deseja ardentemente viver. Ensina-nos a escutar tua Palavra sussurrada nas atitudes inquietas e nas ações indignadas e até violentas das pessoas e grupos a quem foram roubados os sonhos. E dá-nos a humilde e a sabedoria para acompanhá-las no caminho de descida ao encontro contigo. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf

sábado, 16 de fevereiro de 2019

6º DOMINGO COMUM


Os pobres e perseguidos podem contar com Deus e têm futuro!
Resultado de imagem para 6o domingo do tempo comum ano cComo cristão que reflete sobre aquilo que crê, às vezes me pergunto se a ressurreição dos mortos era uma preocupação fundamental de Jesus de Nazaré. É verdade que a fé na ressurreição dos mortos faz parte do credo cristão, e o próprio Paulo questiona: “Se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? E Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados.” Mas a fé na ressurreição e na vida eterna não é uma fuga, e está a serviço da vida terrena e terna, da vida engajada na transformação do mundo.
Escutando atentamente o Evangelho deste domingo, não podemos contornar uma outra pergunta, tão importante como a pergunta pela vida após a morte: os pobres e oprimidos têm futuro, já que a opressão e a escravidão teimam em não desaparecer e, com o passar dos séculos, vem se maquiando e reciclando? Revoluções feitas em nome dos oprimidos, aos poucos esquecem suas promessas e se fecham em torno dos interesses de uma nova classe hegemônica. O próprio cristianismo, que lança suas raízes nas esperanças dos pobres e oprimidos, caiu na tentação da fuga na tranquilidade do culto e na segurança da doutrina.
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No breve texto do Evangelho que ouvimos hoje, Jesus retoma sua pregação inaugural na sinagoga de Nazaré. Depois de colher trigo em propriedade alheia e em dia de sábado e de curar um homem que tinha uma mão paralisada, depois de retirar-se para rezar e de constituir uma comunidade de discípulos, Jesus é cercado por uma numerosa multidão, profundamente necessitada de ajuda. É neste contexto que Jesus ensina seus discípulos, definindo claramente quem é feliz e pode contar com Deus e quem dá as costas a Deus e caminha para uma vida frustrada. E ele fala com a força e a autoridade do próprio Deus.
Para Jesus, os pobres e oprimidos podem contar com Deus, e por isso têm futuro. Às pessoas sem segurança material e social, tratadas como últimas nos projetos políticos, famintas e sofredoras, Jesus não promete riquezas, mas afirma: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Sereis saciados! Havereis de rir!” E esta esperança não engana, porque o próprio Jesus veio, como intuiu Maria, para mostrar a força do braço de Deus, dispersar os orgulhosos, derrubar os poderosos, exaltar os humildes e beneficiar os famintos (cf. Lc 1,51-53). E porque ele reúne, forma e envia discípulos e discípulas para continuarem sua ação.
Resultado de imagem para 6o domingo do tempo comum ano cE os ricos e opressores têm um futuro, merecem nossa admiração? O peso dos fatos quase nos obriga a crer que os ricos e poderosos sempre têm a última palavra, riem por último, riem melhor. “Eles confiam na sua força e se orgulham da sua grande riqueza” (Sl 49/48,7). Mas, para Jesus, eles já escolheram sua consolação e, permanecendo indiferentes e violentos, se auto excluem do banquete do Reino. “Mas ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós que agora estais rindo, porque ficareis de luto e chorareis!” Com a parábola do pobre Lázaro e do rico anônimo Jesus não deixa dúvidas sobre isso (cf. Lc 16,19-31).
Não se trata de revanchismo barato, mas de justiça de Deus. Deus trata as pessoas e governa o mundo seguindo o critério da necessidade concreta, e não do mérito. E Jesus leva isso à radicalidade, começando pela inclusão dos ‘últimos’. Nenhuma concessão aos ricos, famosos e poderosos. Para o Evangelho, a felicidade que não fere e não é roubada é aquela que se enraíza na fidelidade a Jesus de Nazaré e nos engaja na sua missão, a assumir, se for o caso, o ódio e os insultos que isso traz. Beatos e felizes são os mártires, cuja caravana exultante e jubilosa atravessa os séculos e provoca instabilidade nos poderes e igrejas.
Jesus delimita muito bem o lugar e o caminho daqueles que chama a seguir seus passos. Precisamos granjear fama e honra a qualquer preço, mesmo que seja o alto preço do silêncio diante dos opressores? “Ai de vós quando todos falarem bem de vós, pois era assim que seus antepassados tratavam os falsos profetas.” A profecia e a perseguição são sinais inequívocos da fidelidade a Jesus Cristo. “Pois era assim que os seus antepassados tratavam os profetas.” Eles são como árvore plantada na beira do rio: suas folhas não murcham e dão frutos no tempo certo. Há esperança para sua descendência! (cf. Jr 31,17)
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Jesus de Nazaré, missionário intrépido do Pai: a caravana dos homens e mulheres de boa vontade, que transforma a possibilidade de um outro mundo em realidade, se manifesta em nossas comunidades cristãs, mas as ultrapassa por todos os lados. Ajuda-nos a tomar consciência de que este mundo está sendo gestado, que somos chamados a ajudar no seu parto, que nisso reside a verdadeira felicidade, aquela alegria profunda e verdadeira que ofusca as apoteoses do carnaval e dos vencedores de plantão. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf

sábado, 9 de fevereiro de 2019

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Precisamos avançar para águas mais profundas e pescar diferente!
Resultado de imagem para 5 domingo do tempo comum ano cNos primeiros domingos do tempo comum somos brindados com belíssimos encontros com a Palavra de Deus. Depois do episódio da sinagoga de Nazaré, quando Jesus foi expulso da cidade depois de apresentar-se como o profeta que prioriza a vida dos marginalizados, temos hoje o belo relato da pesca que termina em vocação. Jesus já havia estado em Cafarnaum e curado um homem possuído por um espírito impuro, a sogra de Pedro curvada sob a febre, e muita gente que estava doente (cf. Lc 4,31-41). Jesus então se retira para rezar (cf. Lc 4,42-44) e, posteriormente, chama, reúne e inicia a formação dos primeiros colaboradores.
Simão, Tiago e João voltam de uma noite de trabalho. Os barcos estão vazios de peixe e cheios de frustração e cansaço. Jesus vê os barcos parados à margem do lago e, mesmo percebendo que os pescadores não estão interessados na sua palavra, pede licença e sobe num dos barcos. É de dentro da própria vida, da lida cotidiana frequentemente dura e às vezes vazia, que Jesus se aproxima do povo e assegura que as promessas de Deus estão se cumprindo, que com ele uma boa notícia finalmente é anunciada aos pobres e oprimidos. Jesus entra na nossa vida e, desde o interior dela, nos ama, nos acolhe e nos chama.
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Os pescadores e candidatos a discípulos não parecem muito interessados com o que está acontecendo naquele momento às margens do lago de Genesaré. O cansaço e a sensação de frustração os invade por inteiro. Não vislumbram um horizonte que não seja voltar ao mesmo e rotineiro trabalho na noite seguinte. Para eles, a vida dos trabalhadores não pode fazer concessão a sonhos e utopias. Seu destino está desde sempre escrito a ferro e fogo nas instituições. Poderiam repetir o ditado: ‘A vida é um combate que aos fracos abate’. Inicialmente, o jovem pregador não suscita neles nenhuma expectativa.
Não é muito diferente a vida de muitos cristãos de hoje. Infelizmente, são muitos os que se contentam com as rotinas de uma cultura religiosa recebida como herança e conservada por inércia. Outros vivem a fé como um fardo pesado e cansativo, ou como um hábito que envergonha. Permanecem cristãos por conveniência ou por medo de mudar, mas exalam vazio e a frustração por todos os poros. E o que dizer dos bispos, padres, religiosos e catequistas que reclamam do afastamento dos fiéis mas se conformam às ‘antigas lições’ com cheiro de caserna e aderem a posturas violentas, armadas e discriminadoras?
Resultado de imagem para 5 domingo do tempo comum ano cSem desconhecer a frustração dos pescadores e o vazio do barco, Jesus pede que Pedro avance para águas mais profundas e recomece a pesca. A superficialidade sempre nos parece tentadoramente segura, mesmo que saibamos que é também é menos fecunda. Lugares profundos costumam ser arriscados e exigem prudência e habilidade. Mas a excessiva prudência impede o avanço e a superficialidade conduz à esterilidade. A abertura e a obediência à Palavra de Jesus abre portas à fecundidade. Como Pedro, precisamos superar a ideia de que somos pescadores experientes e tornarmo-nos discípulos e aprendizes.
Em atenção à Palavra de Jesus, Pedro lança as redes novamente, e o resultado é surpreendente. Ele então reconhece sua indignidade, mas Jesus não dá ouvidos às suas palavras. “Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!” E aqui ‘pescar’ significa literalmente: vivificar, reunir para conservar a vida. E este chamado que Jesus dirige Pedro, e implica aprender uma nova missão, não é isolado: Tiago e João, companheiros e sócios no ofício da pesca, são agora também companheiros e participantes desta nova identidade e missão. “Eles levaram os barcos para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus.”
Há uma constante no verdadeiro encontro com Deus: somos colocados cara a cara com a nossa realidade mais profunda e autêntica: a vulnerabilidade e a finitude, que, quando negadas ou esquecidas, nos induz ao erro desde o primeiro passo, e a humanidade acaba pagando um alto preço. Mas, ao mesmo tempo, no encontro com Deus descobrimo-nos preciosos aos olhos de Deus. Ele dá impérios pela nossa liberdade (cf. Is 43,3-4), tatua nosso nome na palma da sua mão (cf. Is 49,16) e, tocando nossos lábios, perdoa nosso pecado, confirma nossa dignidade e nos engaja, lado a lado, ombro a ombro, na sua própria missão...
Resultado de imagem para 5 domingo do tempo comum ano cJesus de Nazaré, peregrino nos santuários das dores e buscas humanas! Entra nesta barca que é a tua Igreja e transforma seus tímidos viajantes em ardorosas testemunhas. Abre nossos ouvidos à tua Palavra, preenche nossos vazios com tua presença, cura nossas frustrações e desamarra as mãos que o medo e a acomodação imobilizaram. Engaja-nos na tua missão de reunir teus irmãos e irmãs, de promover e conservar a vida e de anunciar teu Evangelho. E isso sem esquecer que somos sempre discípulos e servidores. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf