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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 16 de junho de 2018

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Sejamos realistas! Busquemos a impossível Justiça do reino!
Resultado de imagem para 11 DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO BNa liturgia, o Tempo Comum não tem nada de comum, e isso não apenas por causa das festas juninas, ou, no ano em curso, por conta da copa do mundo de futebol. Este é o tempo da encarnação do Evangelho no cotidiano da vida pessoal, eclesial e social; de acolher o mistério do Reino de Deus que vai lentamente adquirindo contornos e produzindo frutos; de cultivar pacientemente a esperança que, como o artista do circo, caminha sobre a corda bamba. Somos chamados a caminhar na esperança, e façamo-lo acolhendo e espalhando muitas sementes, mesmo que às vezes nos pareçam frágeis e insignificantes.
Essa esperança é muito importante, pois hoje o realismo cínico nos é apresentado como uma virtude, e se torna uma tentação, inclusive para as pessoas que dizem acreditar num crucificado que ressuscitou. Querem nos convencer que o mundo sempre foi assim, e que não seremos nós os protagonistas de uma hipotética mudança. Um outro mundo não seria possível, e ponto final! A sabedoria então seria cada um cuidar da sua própria vida, não deixando escapar nenhuma oportunidade de derrotar os outros na competição pela sobrevivência, procurando sempre tirar o máximo de vantagem em menor tempo? Não é isso que está demonstrando parte daqueles que nos governam ou postulam uma candidatura política?
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No entanto, como cristãos, fazemos parte de uma caravana que percorre os caminhos da história guiada por outras convicções: as sementes crescem por si mesmas, e as que parecem pequenas e insignificantes, como a de mostarda e de eucalipto, se tornam árvores frondosas. Sem esquecer que é próprio da mostarda ser picante... Partindo da própria experiência e escrevendo sobre a esperança da ressurreição, São Paulo diz que vivemos como se estivéssemos fora de casa, como peregrinos que buscam outra morada, uma outra cidade. Mas insiste que nesta permanente saída estamos cheios de confiança.
A fé cristã toma distância tanto do delírio dos que ardem de paixão por um mundo fictício e ilusório depois da morte como do conformismo medroso daqueles que aparam as arestas do Evangelho e o acomodam a um mundo sem coração e sem justiça. Nossa confiança se inspira na sabedoria dos semeadores que sabem que a semente não é a colheita, mas este saber não os impede de lançá-las generosamente na terra. Eles o fazem conscientes de que é falta de realismo contar apenas com as próprias forças, confiar apenas nas nossas estratégias, esquecer a gratuidade e fechar-se às surpresas.
O que acontece é que o medo do futuro e o controle do presente costumam asfixiar e matar as sementes. “A terra produz o fruto por si mesma”, nos ensina Jesus, num dos contos populares que recolheu na zona rural da Palestina e que a Igreja nos sugere hoje. “A semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isso acontece.” É possível que um processo de mudança se mostre verdadeiramente profundo quando nos leva à consciência dos próprios condicionamentos e limites, abrindo-nos a contribuições outras, iluminando-nos e fecundando-nos pela experiência da gratuidade.
Resultado de imagem para 11 DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO BPrecisamos ser libertados da ilusão da grandeza e colocar no centro da nossa fé a memória da coragem dos escravos frente ao faraó, a memória da vida de Jesus de Nazaré, o mistério escondido na semente de mostarda. O Reino de Deus não brilhará apenas quando chegar o hipotético dia em que não haverá mais compradores de justiça, a liberdade não será uma ilusão, a verdade será a fonte das notícias e poderemos crer nas pessoas outra vez. O reino de Deus não é um particípio passado mas um gerúndio e um futuro: ele “vai sendo” nas milhares de ações de compaixão e de afirmação da dignidade do outro.
Alcançamos a desejada e difícil maturidade quando conseguimos conjugar adequadamente paciência e urgência históricas. Os processos humanos e sociais também têm e seu ritmo de maturação. Conhecê-los sem controlá-los, e remover as forças que podem representar obstáculos ao seu desenvolvimento, é a arte das artes.  Mas eu acho que hoje o risco que nos ronda hoje mais fortemente é deixar passar o tempo propício da maturação e da colheita, fechar os olhos e os ouvidos a Deus, que pede que sejamos, urgentemente, pessoas mais solidárias, Igrejas mais comunitárias e sociedade mais igualitária.
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Jesus de Nazaré, semeador da Palavra que liberta e nos faz libertadores! Ajuda-nos a compreender que a fé é dinamismo que nos abre à escuta de Deus, cria espaços de silêncio nos quais sua Palavra é acolhida e semeada. Frente às dores e esperanças que habitam o mundo, dá-nos o senso profundo da paciência e da urgência que tu mesmo exercitaste. Faz com que essa escuta fundamente a convivência igualitária, nos faça sair das nossas próprias certezas e nos comprometa numa dinâmica de comunhão e de solidariedade no interior da qual nasce, cresce e frutifica o sonho do bem-comum da humanidade. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf
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sábado, 9 de junho de 2018

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM


A família e a religião devem estar a serviço do Reino de Deus!
Resultado de imagem para 10 DOMINGO  DO TEMPO COMUM BNeste mês apreciado pela alegria e simplicidade que marca as festas populares, abramos a mente e o coração ao ensinamento de Jesus, mesmo que inicialmente nos choque e escandalize. Jesus não tem prazer em colocar pedras na estrada do nosso amadurecimento na fé... Na verdade, ele quer nos ajudar a perceber as lutas que este percurso exige e as amarras que precisamos desfazer, inclusive aquelas inconscientes ou que assumem a aparência de piedade. Ocorre que até as instituições que nasceram como espaços de dignidade e cidadania – como a família e a religião – podem se perverter.
O atual e inesperado ressurgimento das práticas de exorcismo, acompanhadas de um indisfarçável desejo de alguns líderes religiosos de amedrontar e dominar, podem nos induzir a pensar que o núcleo do evangelho deste domingo seja o combate ao diabo. Na verdade, o que temos na narração de Marcos é a explicitação e a radicalização do conflito entre a prática libertária de Jesus e o fechamento ideológico das elites religiosas, agarradas à defesa do seu poder de domínio. Precisamos distinguir entre a realidade e a linguagem: a linguagem é apocalíptica, mas a realidade é o conflito político e social.
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Curando um paralítico e declarando-o sem culpa diante de Deus, calando e expulsando o espírito que fazia calar um doente, purificando um leproso e enviando-o aos sacerdotes, curando os doentes que se aproximavam, Jesus desmascara a escravidão mantida pela ideologia do templo. Os escribas contra-atacam tentando neutralizar sua ação desestabilizadora, identificando Jesus com o próprio diabo, protótipo dos inimigos do ser humano. Pretendendo ser os únicos representantes de Deus, os escribas e doutores da lei dizem que aquele que os desmascara é guiado e motivado por um espírito diabólico.
Jesus entra neste jogo de linguagem e fala do reino de satanás como a acentuação simbólica das práticas opressoras da sociedade judaica. Ele se defende atacando com as armas dos próprios adversários! Entra no jogo linguístico dos seus opositores para “puxar o tapete” e mostrar a contradição em que estão atolados. Ironicamente, Jesus diz que se agisse mesmo em nome do diabo, o reino de satanás estaria dividido e fadado à ruína, que dizendo que Jesus está fora de si, seus familiares ameaçam a família que dizem defender. Por seu lado, Jesus diz que sua ação é obra libertadora e regeneradora de Deus.
Resultado de imagem para 10 DOMINGO  DO TEMPO COMUM BMas o clímax da disputa está na afirmação indireta de que os verdadeiros pecadores, aqueles que estão irremediavelmente condenados, são os próprios escribas e doutores da lei, a elite religiosa que desqualifica a ação divinamente libertadora de Jesus dizendo que é diabólica. Esse grupo é réu de um pecado eterno, está coberto de impureza e envolvido numa cegueira que não permite que veja um palmo à frente do nariz. Os líderes religiosos pecam contra o Espírito Santo, iludem a si mesmo e aos outros dizendo que é mau e escravizador aquilo que na realidade é bom e libertador.
É no quadro deste conflito que podemos compreender a tensão entre Jesus e seus familiares. Sua família havia tomado conhecimento daquilo que Jesus fazia e dizia, sente-se importunada pela multidão que invade sua casa, e começa a temer pela integridade de Jesus e pelo bom nome da família. Eles têm a nítida impressão de que Jesus enlouqueceu, e decidem pôr um fim nisso tudo. Parece que a mãe e os irmãos evitam entrar no círculo dos discípulos e chegar perto de Jesus. Dão até a impressão compartilhar da visão dos escribas, e tentam fazer Jesus interromper ou desistir da sua missão.
A família patriarcal, centrada na figura masculina e nos laços de sangue, era um dos eixos da sociedade antiga, um dos anéis da corrente da dominação, uma célula de reprodução da sociedade excludente e intolerante. Jesus avança na superação do sistema de opressão que impede a vida e a liberdade do povo, mas não se detém na crítica destruidora das instituições, dos modelos de relacionamento. Ele coloca Deus no lugar da autoridade patriarcal, substitui a estreiteza dos laços de sangue pelos vínculos que brotam da condição humana compartilhada. Do ponto de vista do Evangelho, Deus e o seu Reino são absolutos, e todas as instituições e autoridades, inclusive a família, são relativas e transitórias.
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A ti, Jesus de Nazaré, irmão de todos os homens e mulheres regenerados no dinamismo do teu Reino, dirigimos nosso olhar e nossa prece. Fortalece nossa vontade, a fim de que tenhamos a coragem de romper com os laços que nos amarram a nós mesmos e aos sistemas que oprimem. Amplia o círculo da nossa comunhão, para que ele inclua todos os seres humanos, começando pelas vítimas da violência que se impõe nas favelas e morros, e chegando aos povos ribeirinhos do rio Amazonas. E faz com que nossas comunidades sejam uma família alargada, ventre no qual são gerados homens e mulheres iguais. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf

sexta-feira, 8 de junho de 2018

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Estamos no mês de Junho dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, mês que para nós, é muito significativo pois nosso Carmelo tem como padroeiro e ideal de fundação este Coração amantíssimo de Jesus. Já no inicio o ideal de nossa fundadora madre Teresinha foi este: Esta terra é missioneira! Tendes, portanto, uma missão à cumprir.  E, qual será ela?
APROXIMAR AS ALMAS desta Diocese, da Fonte de vida e de santidade, que é, O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS!
Esta é a vossa missão!... Esta é a finalidade deste Mosteiro! Jesus dissera um dia: EIS AQUI O CORAÇÃO QUE TANTO AMA OS HOMENS! E DOS QUAIS SÓ RECEBE INDIFERENÇA E DESPRESO!...
Oh! Como esta queixa é dura e dolorosa!
Seja este Mosteiro, um monumento de amor ao Sagrado Coração de Jesus e um OÁSIS de conforto e de paz onde as almas desta querida Diocese, venham dessedentar-se no meio do calor das suas lutas, dos seus sofrimentos e das suas dores.
Seja ao mesmo tempo, UM LUGAR DE REPOUSO para o Coração fatigado de Jesus, que percorre o mundo buscando a ovelha perdida. Aqui, como em Betânia, ELE deve encontrar sempre abrigo, dedicação, consolo, amor e reparação.
ELE deve reinar como DONO e SOBERANO. Deve viver no aconchego do amor, como um Pai no meio de seus filhos. Deve possuir inteiramente, os corações que aqui vivem.
O Coração Sagrado de Jesus, deve ser a morada perpetua, a fenda da rocha, onde cada alma deve viver escondida como a rola que busca a fenda do rochedo para esconder-se.
Este Mosteiro deve ser um farol de amor de Deus, apontando a muitas almas o verdadeiro caminho da salvação. Deve ser um farol salvador, na noite tenebrosa desta vida.
O sagrado Coração de Jesus deixou a santa Margarida Alacoque 12 promessas para todos os que tem devoção ao seu sagrado Coração. Que elas possam ser para nós.
1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;
3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;
4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;
6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;
7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;
8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;
9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;
10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;
11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;
12ª Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.
Neste sábado também celebraremos o Imaculado Coração de Maria, o coração puro, o coração íntegro no serviço a Deus; um coração repleto de amor e de bondade.
O coração de Jesus bate no ritmo do coração de Sua Mãe, e este segue o coração do seu Filho. Aonde quer que Jesus vá, ali estará o coração de Maria.
Quando entregamos o nosso coração a alguém, entregamos o melhor de nossa vida, o essencial, o fundamental. O coração conduz nossos sentimentos, afetos e escolhas. Por isso, o coração de Maria pertenceu, em primeiro lugar, a Deus. O coração dela sempre foi puro e imaculado, não se deixou seduzir nem ludibriar pelas seduções dos pecados e prazeres. Aliás, ela tinha um grande prazer: guardar e viver a Lei do Senhor Nosso Deus. Por isso, seu coração era todo do Senhor.
O coração imaculado de Maria é um coração de Mãe, que vibra, sente e caminha na sintonia do Filho.
Pense que sintonia maravilhosa há entre o coração de Jesus e de Maria! A Mãe foi aquela que primeiro viu, sentiu e vibrou com os batimentos do coração de Jesus, a criança concebida em seu coração. Maria foi aquela que viu e sentiu o coração de Jesus em todas as etapas de sua vida; a criança que aprendeu a andar, a falar, que foi se tornando um adolescente, que se perdeu no templo. Ali estava Maria inquieta, atenta, guardando em seu coração tudo aquilo que sentia a respeito de seu Filho.


Que o Coração de Jesus e o Coração Imaculado de Maria abençoe a todos.

INÍCIO DO NOVICIADO IR. ESTER DE JESUS

Hoje nossa comunidade se alegra pois a postulante Thais iniciou seu noviciado. A cerimônia realizada hoje pela parte da manhã Thais recebeu o habito carmelitano e capa branca e escolheu de agora em diante levar o nome religioso de ESTER DE JESUS. Neste dia do coração de Jesus pedimos por sua perseverança e um aumento de vocações para a Igreja e o Carmelo.




Emoção, alegria, amor a Virgem Maria e abraços da comunidade. Tudo motivo de festa neste dia em que a Ir. Ester inicia seu noviciado.







O inicio do Noviciado se dá com o recebimento do Hábito carmelitano. Recebe primeiro o cinto símbolo da obediência, o escapulário símbolo do jugo suave do senhor e a proteção da Virgem Maria, a Capa branca símbolo da pureza. Com o recebimento do hábito recebe um nome novo escolhido pela candidata e um sobrenome religioso. A postulante Thais escolheu o nome de Ester de Jesus.















sábado, 2 de junho de 2018

9º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Primeiro o Evangelho da dignidade humana, depois as leis!
Passadas sete semanas de um tempo marcado pelo júbilo pascal e as solenidades de Pentecostes, da Santíssima Trindade e do Corpo e Sangue de Jesus, voltamos ao tempo comum, que, no Brasil, continua sendo um período festivo: o tempo das alegres e envolventes festas juninas. Como a lei do sábado para os hebreus, as festas tem a força de romper com o cinzento calendário do trabalho e com a percepção da vida como um peso sem alívio e de lembrar que somos gente libertada e chamada à liberdade. Elas celebram uma dignidade conquistada no passado ou a certeza de “uma vitória que vai ter que acontecer”.
Mas nós sabemos também que as festas, assim como a memória e as leis que nasceram para garantir a liberdade e a fraternidade, podem ser capturadas pelas pessoas e instituições que desejam perpetuar seu poder dominador sobre as pessoas. Isso aconteceu com as leis que nasceram da aliança de Deus com o povo hebreu, no caminho para a terra prometida, e, infelizmente, aconteceu e acontece com o Evangelho vivido e anunciado por Jesus Cristo: ele continua sendo usado para oprimir gente já quebrada por tantas dores, para subjugar pessoas e povos aos tiranos, para distrair os oprimidos das necessárias lutas, para angariar votos, para arrancar dinheiro aos pobres e enriquecer pastores e igrejas.
Voltemos nosso olhar a Jesus de Nazaré e sintonizemos nossos ouvidos com o evangelho desse domingo. Há pouco, Jesus havia curado um paralítico mediante a declaração de que ele não era culpado de nada (cf. Mc 2,1-12) e partilhado uma refeição com pessoas consideradas indignas (cf. Mc 2,13-18). Animados pela dignidade e liberdade que Jesus, o esperado noivo da nova aliança, lhes conferia, os discípulos se permitiram desconsiderar a lei do jejum. Tanto as ações de Jesus como as dos seus discípulos irritaram profundamente o grupo dos fariseus, representantes do legalismo sem coração.
Para completar o escândalo, os discípulos de Jesus atravessam campos de trigo e recolhem sem cerimônia os grãos que necessitam para matar a fome, e isso no sacratíssimo dia de sábado... Se levamos a sério a resposta de Jesus ao questionamento dos defensores da lei, fazendo isso os discípulos afrontam duas leis: a lei que proíbe qualquer trabalho no dia de sábado e a lei que impede a violação da propriedade privada. É isso que transparece na referência de Jesus a Davi e seus companheiros, que, estando com fome, se apropriaram das oferendas que pertenciam exclusivamente aos sacerdotes.
No fundo, o que Jesus quer discutir e colocar em evidência, inclusive na cena seguinte, é o espírito e a finalidade das leis e instituições: elas proíbem, permitem e ordenam fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matá-la? Para Jesus, estômago febril de uma pessoa pobre e faminta é mais sagrada que todos os templos, leis e instituições. Para salvar uma pessoa ou um povo em situação de risco, o respeito à lei se torna secundário. Além disso, faz parte da maturidade e da liberdade cristã desmascarar corajosamente as leis, costumes e instituições que não fazem outra coisa que oprimir os pobres.

Os acontecimentos recentes da política e do judiciário brasileiros estão a demonstrar que a lei só é pesada e tem força quando se trata de punir os pobres e quem participa das suas lutas. A lei não é parâmetro absoluto para a justiça! Basta lembrar que a escravidão negra foi legal no Brasil; o apartheid foi legal na África do Sul; a mutilação sexual das mulheres ainda é legal em alguns países árabes; a prisão de Nelson Mandela, como a de Lula, não foram feitas ao arrepio da lei; o congelamento dos investimentos na saúde e na educação foram atos legais, assim como a desmantelamento dos direitos trabalhistas...
Afirmar isso não é anarquia ou rebeldia adolescente, mas Evangelho de Jesus Cristo! É claro que o Evangelho da liberdade é um tesouro que os cristãos e suas Igrejas carregamos em vasos de barro, com o risco de quebrá-lo ou trancafiá-lo em cofres invioláveis, longe da vida. Mas a luta para sermos libertária e responsavelmente fiéis a esse Evangelho nos insta até a morte! Como Paulo, no cumprimento dessa sagrada missão, somos atribulados, mas não desanimamos; enfrentamos dificuldades, mas nada tira nosso ânimo; somos perseguidos, mas encontramos consolo; caímos, mas levantamos e prosseguimos.

Jesus de Nazaré, peregrino nos santuários das dores e lutas dos humildes e dos humilhados! Ajuda teus discípulos e discípulas a não fazer do teu Evangelho uma lei, a não transformar teu vinho novo em vinagre azedo e tua liberdade em novas dominações. Faz ressoar sempre mais em nossos ouvidos a Boa Notícia que anunciavas com palavras e gestos nos caminhos e sinagogas da Galileia, e dá-nos coragem para permanecer fiéis e solidários nas lutas do povo e vigor para denunciar todas as armadilhas que, de forma sorrateira ou escancarada, os poderosos colocam nos seus caminhos. Amém! Assim seja!
Itacir Brassiani msf