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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 24 de junho de 2017

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM

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Se os profetas se calarem, as pedras falarão!
Testemunhar Jesus Cristo com força profética é muito mais do que simplesmente tornar seu nome conhecido no mundo. A missão dos cristãos, inerente à fé em Jesus Cristo e consequência do encontro com ele, consiste em dar continuidade à sua dupla paixão: paixão pelo reino do Pai e paixão pela vida dos pobres. E isso significa, entre outras coisas suscitar, prosseguir e alimentar as práticas e os movimentos que resgatam a vida de todos os grupos oprimidos e questionam as práticas de dominação e de exclusão. A profecia é também e sempre uma ação transformadora.
É natural que todos sintamos um certo medo diante das ameaças e tristeza frente às mentiras e calúnias, ou até das ameaças, que recebemos por causa de um engajamento que brota da intimidade com Deus e do amor pelo seu povo. Os próprios discípulos e discípulas da primeira hora provaram o medo, e não é por acaso que, no evangelho deste domingo, Jesus pede três vezes: “Não tenham medo!” Quem não se vê representado no desabafo de Jeremias, que chega a amaldiçoar o dia em que nasceu? Mas é exatamente em meio às perseguições que ele faz a experiência do conforto e do amparo da presença de Javé...
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O problema surge quando o medo – que geralmente vem de mãos dadas com o desejo de uma vida longa e tranquila e com a aparente tranquilidade de quem não quer deixar sua cômoda zona de conforto – coloca viseiras nos olhos, mordaças na boca e correntes nas mãos, ou quando cala a voz profecia e esteriliza a força da fé. E isso começa com o simples medo de pensar e de viver de modo diferente das pessoas do nosso círculo de amigos e de família, e termina no medo de desagradar ou ser mal visto pelas autoridades políticas ou eclesiásticas.
A fé é o oposto do medo, e não simplesmente o contrário da descrença! Quem age movido pelo medo faz de tudo para encontrar uma segurança que, para nós cristãos, é dada gratuitamente por Deus, e só por ele, àqueles que se entregam de corpo e alma ao seu Evangelho. É esta segurança que faz com que os profetas e profetizas sejam firmes como pessoas que enxergam o invisível. Elas sabem em quem acreditam, em quem depositam a confiança. Sabem que é perdendo a vida que podem conserva-la para sempre. Aquele que as chamou é fiel! O próprio Jesus Cristo as defende.
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Jesus nos ensina a desenvolver esta confiança radical chamando a nossa atenção para os pardais e para os cabelos. Deus cuida até dos pardais, para que caiam no alçapão, e dos cabelos, para que não caiam no chão, quanto mais daqueles que ama, chama e envia! “Vocês valem mais do que muitos pardais! Até os vossos cabelos estão contados!” Deus toma conta da vida dos seus filhos e filhas chamados à profecia porque é pai terno e bondoso, sempre e já no presente de suas criaturas. Então, medo de quê? Então, porque calar a voz da profecia, a voz que nos queima desde dentro?
Mais que consolação intimista, a experiência do coração materno de um Deus, que se supera nas delicadezas pelos frutos do seu ventre, é luz que afugenta o medo e força que sustenta a profecia. Podemos dizer, com São Paulo, que muito mais forte que as privações e a morte, e muito mais abundante que nossos pecados, é a graça que Deus derramou sobre nós. A graça de Jesus Cristo não tem qualquer comparação com nossos limites e pecados! E ainda temos a promessa de que o próprio Jesus será testemunha de defesa daqueles que dele dão testemunho neste mundo...
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Afinal, como nos ensina Paulo, a fé que nos alimenta e sustenta a profecia brota de uma experiência de ser reconciliado e regenerado por Deus em Jesus Cristo. Vivemos em paz com Deus e nossa condição é marcada pelo sinal da Vida. O mal e a morte não nos amedrontam nem dominam.  Cristo venceu as forças destruidoras e desagregadoras e nos resgatou para a liberdade. Confiados naquele que “cuida de cada cabelo que vamos perdendo sem mesmo notar”, os profetas e profetizas não se deixam amordaçar pelo medo e proclamam com a própria que é para a liberdade que Cristo nos libertou.
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Jesus de Nazaré, destemido profeta da Galileia: envia testemunhas autênticas da liberdade e da solidariedade. Suscita profetas que, que se alimentem da tua Palavra; que anunciem com palavras e ações a verdade sobre a dignidade de todas e de cada criatura; que denunciem as estruturas que excluem, mesmo aquelas que se apresentam em meio a luzes coloridas e fumaça de incenso; que renunciem às ações e contaminadas pelo espetáculo, pela indiferença, pela violência e pelo medo; que prenunciem, em seu modo de viver, um mundo em cuja mesa haja lugar para todas as criaturas. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

SOLENIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

João João Batista era filho de Zacarias e Isabel e primo de Jesus. Ocorre que seus pais já eram idosos quando o arcanjo Gabriel se apresentou a Zacarias e lhe disse que suas orações tinham sido ouvidas: sua mulher, mesmo estéril e de idade avançada, conceberia e lhe daria um filho. (cf. Lc 1 e Mt 11).

“Tu lhe darás o nome de João e ele será para ti motivo de júbilo e alegria; muitos se regozijarão por seu nascimento, posto que será grande diante do Senhor”.
Mas Zacarias duvidou e, por sua pouca fé, perdeu a voz. Quando nasceu o menino, Zacarias escreveu num tabuinha: “Seu nome é João”. Nesse momento, ele recuperou a fala e entoou um esplêndido hino de amor e agradecimento a Deus, conhecido como “Benedictus”.

São João Batista foi concebido no pecado original, mas ficou purificado antes ainda de nascer, quando sua mãe, Santa Isabel, foi visitada pela Santíssima Virgem Maria, que, por sua vez, já portava em seu seio o Salvador, Jesus. Santo Agostinho observou que a Igreja sempre celebra a festa dos santos na dia de sua morte, mas, no caso de São João Batista, santificado já no ventre da mãe, ele é celebrado também no dia de seu nascimento.

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A lenda e a fogueira
A propósito, as lendas e tradições que começaram a surgir desde o século IV em torno a São João Batista contam que, quando Maria foi visitar a prima Isabel, combinaram ambas que, ao nascer João, Zacarias acenderia uma fogueira para sinalizar a vinda do menino ao mundo.

Por isso é que teria começado a tradição das fogueiras de São João em junho, o mês do seu nascimento.
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A missão
O próprio Jesus descreveu João como o último e o maior dos profetas:

“Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista. De fato, todos os profetas, bem como a lei, profetizaram até João. Se quiserdes compreender-me, ele é o Elias que deve voltar” (Mt 11,11-14).
João precedeu Jesus como seu mensageiro, anunciando a vinda do Cristo e dedicando-se a preparar o povo para recebê-lo. Em sua pregação, ele batizava no Rio Jordão, e daí seu apelido de “Batista”, e combatia os vícios e as injustiças mediante o testemunho de uma vida austera. Sobre Jesus, João proclamava:

“Ele será grande perante o Senhor; não beberá nem vinho, nem bebida fermentada, e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe. Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus: e Ele mesmo caminhará à sua frente” (Lc 1, 15).
O martírio
Impelido pela missão profética, João Batista denunciou os pecados do governador da Galileia, o rei Herodes, que tinha sequestrado sua cunhada Herodíades e vivia com ela como se fossem esposos. O Batista foi então preso em Maqueronte, na costa oriental do Mar Morto. Salomé, a filha de Herodíades, ganhou do rei o direito de pedir o que desejasse. Sua mãe vingativa a instigou a fazer um pedido assassino: “Quero que me dês imediatamente, numa bandeja, a cabeça de João, o Batista” (Mc 6,25). O Santo Precursor sofreu então o martírio.

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Oração a São João Batista
Deus, nosso Pai, celebramos hoje o nascimento de São João Batista. Pela força da vossa Palavra, convertei os nossos corações!

Doce, sonoro, ressoe o canto,
minha garganta faça o pregão.
Solta-me a língua, lava a culpa,
ó São João!

Anjo no templo, do céu descendo,
teu nascimento ao pai comunica,
de tua vida preclara fala,
teu nome explica.

Súbito mudo teu pai se torna, 
pois da promessa, incréu, duvida:
apenas nasces, renascer fazes
a voz perdida.

Da mãe no seio, calado ainda,
o Rei pressentes num outro vulto.
E à mãe revelas o alto mistério
de Deus oculto.

Louvor ao Pai, ao Filho unigênito 
e a vós, Espírito, honra também: 
dos dois provindes,
com eles sois um Deus. Amém.

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Padroeiro

São João Batista é padroeiro dos injustiçados por causa da fé: uma situação particularmente atual em meio à grande onde de violência e martírio sofrida pelos cristãos do nosso tempo em todo o mundo.

Fonte: Aleteia

quinta-feira, 22 de junho de 2017

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Nosso Deus tem um coração, grande e compassivo.
A tentação de imaginar Deus de forma abstrata e de propor a mensagem cristã de forma estritamente doutrinal está sempre rondando os cristãos das diferentes Igrejas. A doutrina do Deus uno e trino, celebrada na festa da Trindade, pode virar uma difícil questão de matemática ou de metafísica. A boa notícia recordada pela solenidade de Corpus Christi pode descambar numa discussão polêmica, fisicista e anti-ecumênica. E, com isso, acabamos representando o mistério de Deus mediante figuras abstratas ou ameaçadoras, como o triângulo, a lei, o olho, o juiz, o rei, o chefe dos exércitos...
Precisamos superar os resquícios de imagens abstratas, parciais e distorcidas de Deus. Que consolação podemos encontrar naquela representação de Deus como um triângulo composto de linhas e ângulos absolutamente simétricos, mas carentes de pulsação e de vida? Que orientação ou estimulo pode nos vir de conceitos herméticos como união hipostática, duas pessoas em uma natureza, três pessoas em um só Deus? Por mais que sejam doutrinalmente ortodoxas, estas fórmulas não são capazes de produzir liberdade, solidariedade e vida...
A Sagrada Escritura nos apresenta a história e a imagem de um Deus vivo, que se caracteriza pela Compaixão, e é isso que a solenidade do Sagrado Coração de Jesus quer colocar em evidência. Não precisamos ter medo de reconhecer traços antropomórficos em nossas imagens de Deus. Nunca nos livraremos disso. O que precisamos evitar é a tentação de projetar na ideia de Deus elementos de uma antropologia que exclui a corporeidade, a relação, a compaixão e a solidariedade. Estes elementos mutilam nossa humanidade e distorcem nossa ideia de Deus!
A solenidade do Sagrado Coração de Jesus quer sublinhar que Deus tem um rosto humano, um coração que ama apaixonadamente a humanidade. Aliás, é pouco e insuficiente dizer que Deus nos ama: Ele é amor, e sua relação conosco só pode ser de amante para amado, de pai e mãe que recompõe as forças dos filhos cansados e levanta o ânimo dos abatidos. Um Deus que é amor não traz fardos, mas alívio, não profere sentenças condenatórias mas multiplica atos que libertam. Celebrar o coração sagrado de Jesus significa celebrar a revelação de Deus como amor, apenas amor, sempre amor.
Como filhos e filhas gerados no ventre de Deus, como gente que recebeu nos lábios o beijo e o Sopro de Deus para ser no mundo sua imagem viva, também somos chamados a conjugar o verbo amar, especialmente no modo indicativo, no presente e no futuro, e na primeira pessoa do singular e do plural. João escreve: “Se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros... Deus é amor: quem permanece no amor permanece com Deus e Deus permanece com ele.” Quando nossas relações são sustentadas pelo amor, demonstramos que conhecemos quem é Deus!
Moisés lembra aos hebreus que a afeição de Deus por eles não é motivada pelo poder ou importância que possam ter, mas pela insignificância, não porque eles fossem bons, mas porque Deus é bom, é amor. Seu amor é causa e não consequência de nossa retidão. Deus é assim! Jesus faz questão de afirmar que Deus não se dá a conhecer aos sábios e entendidos, aos grandes e poderosos, mas aos pequeninos e humildes. E é aos cansados e fatigados que ele dirige seu convite e faz sua oferta de alívio e descanso. É isso que significa a mansidão e humildade de coração que o caracteriza e que nós invocamos.
Mais que na celebração de cultos solenes, na elaboração de doutrinas eruditas e na obediência formal a leis minuciosas, a alegria de Deus consiste em buscar e proteger as pessoas indefesas e ameaçadas e preparar para elas uma mesa farta diante dos inimigos que as perseguem sem tréguas. E isso na proporção de 1 por 99! E ele também se alegra com os homens e mulheres que, estimulados por seu jeito de ser e de amar, procuram fazer o mesmo. Este é o caminho e a proposta de Jesus, e não deveria ser outro o caminho das Igrejas e de todos aqueles que creem que Deus tem um coração. Haja coração!
Jesus de Nazaré, Coração de Deus na carne humana, Compaixão de Deus na complexidade da história! Tu nos revelaste a Misericórdia e o Amor como dinamismos que aproximam e articulam a divindade da humanidade. Traído, preso e executado na cruz, tu nos amaste até o fim e para além de todo merecimento. Do teu lado aberto pela lança, deixaste correr sangue e água, dando-nos o Espírito que te movia, para que, atraídos por teu coração, pudéssemos beber na fonte da salvação. Por isso, não cansamos de louvar teu nome e de pedir que seja teu o coração que sustenta nossa missão. Mas precisamos que permitir que teu amor nos regenere, de novo e sempre. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

sábado, 17 de junho de 2017

CONSELHOS PARA BEM REZAR

12 conselhos sobre a oração segundo Santa Teresa
1. Dirige a Deus cada um dos teus atos; oferece-os e pede-lhe que seja para Sua honra e glória.
2. Oferece-te a Deus cinquenta vezes por dia, e que seja com grande fervor e desejo de Deus.
3. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e Sua sabedoria, em tudo, envia-Lhe o teu louvor.
4. Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandone nem as obras

de oração, nem a penitência a que está habituado. Antes, intensifica-as, e verá com que prontidão o Senhor te sustentará.
5. Nunca fale mal de quem quer que seja, nem jamais escute. A não ser que se trate de ti mesmo. E terá progredido muito, no dia em que se alegrar por isso.
6. Não diga nunca, de você mesmo, algo que mereça admiração, quer se trate do conhecimento, da virtude, do nascimento, a não ser para prestar serviço. Mas então, que isso seja feito com humildade, e considerando que esses dons vêm pelas mãos de Deus.
7. Não veja em você senão o servo de todos, e em todos contempla Cristo Nosso Senhor; assim O respeitará e O venerará.
8. A respeito de coisas que não lhe diz respeito, não se mostre curioso, nem de perto, nem de longe, nem com comentários, nem com perguntas.
9. Mostrai sua devoção interior só em caso de necessidade urgente. Lembra do que diziam São Francisco e São Bernardo: “Meu segredo pertence a mim”.
10. Cumpra todas as coisas como se Sua Majestade estivesse realmente visível; agindo assim, muito ganhará a sua alma.
11. Que seu desejo seja ver Deus. Seu temor, perdê-Lo. A dor, não comprazer na Sua presença, a satisfação, o que pode conduzi-lo a Ele. E viverá numa grande paz.

(Santa teresa D´Ávila)

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM

A compaixão é a origem, o suporte e a meta da missão!
Depois do convite dirigido a Mateus, e depois da confraternização simbólica com os pecadores celebrada na sua casa, Jesus faz uma peregrinação através do santuário das dores e esperanças humanas, anunciando a Boa Notícia do Reino a jovens que morriam antes do tempo; a mulheres vergadas sob o peso de doenças incuráveis; a cegos e mudos mutilados em sua cidadania... Trata-se de uma peregrinação e não de uma viagem turística! Em Jesus, Deus não quis fazer um simples passeio no mundo: ele assumiu a fundo nossa condição humana.
Andando pelos caminhos empoeirados da Galileia, Jesus não tem pressa. Ele vê e contempla a realidade e as pessoas profunda e demoradamente. Ele ousa ver e encarar a realidade humana e social assim como ela é, e seu olhar não tem nada de passividade, e menos ainda de indiferença. É um olhar comprometido e capaz de ver, por traz dos rostos tristes e dos corpos encurvados, as feridas provocadas pelas relações e instituições violentas e opressoras. “Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.”
O olhar de Jesus não identifica apenas doentes terminais, mortes inexplicáveis ou cegueiras causadas por espíritos maus. Ele não enxerga também apenas uma multidão indiferenciada e anônima. Ele vê gente cansada e abatida, um povo sem líder e sem guia. Um povo cansado é um povo sem esperança e sem ânimo. Um povo abatido é um povo espoliado e defraudado. Um rebanho sem pastor é um coletivo desorientado e indefeso. Para Jesus, o que faltava ao povo não eram autoridades, mas líderes verdadeiros, guias comprometidos com a busca de saídas benéficas ao povo.

Diante do cansaço e do abatimento de um povo humilhado, as entranhas maternas de Deus tremem, e ele revela sua capacidade de sofrer com seus filhos e filhas. Deus rejeita como indigna e pecaminosa toda forma de indiferença frente à dor das suas criaturas. E é esta compaixão que está na origem da missão de Jesus, e a sustenta até o fim. Mas, diante da imensa tarefa de anunciar a Boa Notícia de um Deus misericordioso e de sinalizar sua presença através de ações libertadoras, Jesus se vê pequeno. E a pequena comunidade que o segue também lhe parece insuficiente.
“A colheita é grande e os trabalhadores são poucos...” Usando estas palavras que sublinham a disparidade entre a grandeza da tarefa e a pequenez do seu grupo, Jesus nos estimula a pedir mais colaboradores. Mas oração dirigida ao Pai, ao “dono da colheita”, é o ponto final de um empenho profundo e pessoal para identificar, despertar, motivar e formar homens e mulheres com generosidade suficiente para se engajar na missão de Jesus Cristo.  divide com seus discípulos capazes de compaixão a responsabilidade de curar enfermidades e dissipar espíritos que escravizam as pessoas.
A partir desse modo de ver a realidade, Jesus prossegue estabelecendo uma prioridade aos seus escolhidos: “Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Trata-se de priorizar o povo de Israel, abandonado pelos próprios pastores: doentes, cegos, coxos, loucos, estrangeiros, mulheres, crianças, pecadores... E é por causa dessa prioridade histórica que ele recomenda que eles não entrem na casa dos pagãos e nas cidades dos samaritanos. Seus discípulos não poderiam fazer tudo ao mesmo tempo! Mas, depois dessa prioridade cronológica, virão outros grupos sociais e religiosos necessitados...
Vivemos hoje numa sociedade de comunicação globalizada, e temos clara consciência de que os apelos que solicitam nossa alma missionária são múltiplos e globais. E são desafios maduros, como campos prontos para a colheita, que correm o risco de se perderem. Responder honradamente a estes desafios não é responsabilidade que pode ser assumida apenas por esta ou aquela congregação religiosa, por uma ou outra Igreja cristã. Esta é uma missão que convoca e compromete todos os cristãos, e todos os homens e mulheres de boa vontade, aqueles que tem fome e sede de justiça.

Jesus de Nazaré, primogênito dos humanos e peregrino no santuário das nossas dores e esperanças! Cumprindo a decisão do coração do teu e nosso Pai, não levas em conta nossos limites e os méritos que não temos, e nos tornas amigos de Deus, criaturas novas e reconciliadas. Que prova de amor essa de dar tua vida por nós, sem levar em conta nossos débitos! Ensina-nos a compaixão que comoveu teu coração, abriu teus olhos, afinou teus ouvidos, moveu teus passos, iluminou tua inteligência e fortaleceu tua vontade. E ajuda-nos a permanecer neste caminho, identificando e despertando pessoas de boa vontade que se encantem e se consumam na tarefa de levar adiante tua missão. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf