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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 19 de agosto de 2017

DIA DA VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA

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Mensagem por ocasião do Dia da vida Religiosa Consagrada pelo Diretor da Conferência do Religiosos do Brasil CRB

ESTIMADAS RELIGIOSAS! ESTIMADOS RELIGIOSOS!
Ao meditar sobre o que dizer-vos neste Dia do Religioso, da Religiosa, lembrei-me da fala de Maria Tristão, numa reunião de mulheres em Angola, quando lá trabalhei diz ela:  “Que seria de nós sem essa gente de Deus (falava dos padres, das religiosas e religiosos) neste tempo de miséria e de tristeza?! Mas a vida continua! ” (Maria Tristão (Angola).
A meu ver, ela sintetiza o fundamento, a missão e os desafios que temos como homens e mulheres consagrados/as, neste mundo conturbado em que vivemos.

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A fé nos dá a certeza de que somos amadas/os e escolhidas/os por Deus, desde o ventre materno. Ele nos amou por primeiro e nos escolheu, para enviar-nos em missão junto a seus prediletos: “as ovelhas sem pastor! ” Aqui está o núcleo identitário da Vida Religiosa Consagrada: Deus nos ama, nos escolhe, prepara, envia em missão e nos sustenta com seu braço forte. Como diz a senhora da Angola, nós somos ‘gente de Deus’. Nós pertencemos a Ele. E isso tem o seu preço: “eu vivo para meu amado! ”
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De que missão estamos falando quando nos referimos às/aos religiosas/os? Em primeiro lugar falamos do testemunho de sermos pessoas de Deus, suas amigas íntimas. Descobrimos, nessa amizade, um tesouro e aceitamos “vender tudo o que tínhamos para ficar com Ele”.
Neste mundo pré-cristão, no dizer de uns, ou pós-cristão, no dizer de outros, nós, os religiosos e religiosas, somos cada vez mais desafiados/as a ser místicos horizontais, capazes de testemunhar a alegre presença de Deus em nós e na vida cotidiana, mesmo nos acontecimentos mais absurdos e doloridos. Para isso, precisamos ser pessoas contemplativas, capazes de confrontar a vida com a Palavra revelada em Jesus Cristo. Aí poderemos dizer como a mulher do Cântico dos Cânticos: “Encontrei o meu amado nas ruas da cidade! ”
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Mas também, Deus nos envia para uma ação, segundo o carisma próprio de cada instituição: saúde, educação, pastoral, oração, migrantes e tantos outros serviços em favor do povo de Deus. Místicos e profetas, trabalhadores do Reino, capazes de dar resposta competente às necessidades das pessoas do mundo atual. Daí nasce o desafio de preparar-nos para a missão por meio do estudo, da pesquisa, da formação continuada, assumida como resposta vocacional e não como promoção pessoal ou mecanismo de defesa. “Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito. ”
Amigas e amigos, a esperança e a alegria da vida doada em comunidade é sinal de que somos consagradas/os livres e realizadas/os. Dona Maria Tristão compreendeu isso: “A vida continua”, com esperança, porque sabemos em quem confiamos e Deus não abandonará os seus ungidos. A vida dos/as nossos/as fundadores/as o atestam.

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Feliz dia da Religiosa! Feliz dia do Religioso! Muito obrigado por tudo o que fazem pelo Reino! Que Deus, por intercessão da Mãe Aparecida, abençoe a todas/os. Continuemos alegres na esperança, pacientes nas dificuldades, perseverantes na oração e criativos na missão. Místicos e profetas para um mundo em mudança.
Um abraço!

Ir. Joaquim Sperandio, fms, e Diretoria da CRB Nacional

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SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA

Maria simboliza a humanidade liberta e solidária.
Resultado de imagem para assunção de nossa senhora da glóriaA Assunção de Nossa Senhora é uma festa mariana que, para as comunidades católicas do Brasil, está ligada à semana dedicada à vocação à vida religiosa. Mas aquilo que cremos sobre Maria não tem a ver exclusivamente com os religiosos e religiosas: de alguma forma, se refere a todos os homens e mulheres, à comunidade eclesial, ao povo de Deus. A glorificação de Nossa Senhora, que é a plena realização de sua vida e sua vocação em Deus, é uma interpelação e uma promessa extensivas a toda a Igreja e a todos os homens e mulheres. E isso é preanunciado na imagem que João vê aparecendo no céu.
Lucas apresenta Maria como uma mulher que sabe ouvir a Palavra viva de Deus e que está pronta a dar o melhor de si para que esta Palavra se realize na história. É alguém que ousou acreditar na força da Palavra e na fidelidade daquele que a pronuncia. Deus pôde realizar grandes coisas nela e através dela porque encontrou em Maria a base humana indispensável. Não fazemos bem quando a idealizamos e desumanizamos, tirando-a da história. Para fazer-se humano o Filho de Deus precisou de uma pessoa fundamentalmente humana, não de uma criatura angélica e desencarnada do mundo!
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Depois da experiência de ser amada e de ser chamada a gerar e dar à luz aquele que é a Luz do mundo, Maria vai apressadamente à casa de Isabel. Busca nesta família fiel um sinal que confirme a parceria de Deus com os humildes, sua aliança com os pobres e a veracidade de suas promessas. A discípula se faz serva, a serva se mostra peregrina e a peregrina experimenta a hospitalidade na casa de Isabel. Abraçadas no amor de um Deus que não esquece sua misericórdia, duas mulheres louvam a Deus e profetizam publicamente. A discípula, serva e peregrina se transforma em profetiza destemida. Maria contempla a história do seu povo e proclama a intervenção libertadora de Deus.
Resultado de imagem para assunção de nossa senhora da glóriaÉ importante não esquecer que Maria, esta mulher que foi elevada e assunta ao céu, não é apenas uma humilde trabalhadora do lar, uma pessoa discreta que acredita em Deus, uma doce e recatada esposa de um carpinteiro. Deus assume em corpo e alma e eleva à glória do céu uma mulher que rompe com os costumes que menosprezam a mulher e a mantêm calada, que diz uma palavra profética na arena pública, que proclama uma revolucionária intervenção de Deus num mundo patriarcal e opressor. Ela já havia usurpado o título masculino de “Servo de Deus” e agora abre a boca e faz-se profetiza.
Por isso, Maria simboliza uma Igreja com traços femininos. Nela e com ela, a Igreja é chamada a construir-se como corpo que acolhe, aquece, alimenta, ensina, respeita e favorece o crescimento e o amadurecimento dos filhos e filhas. Uma Igreja institucionalmente rígida, fechada, autoritária, legalista e doutrinária tem pouca relação com a figura feminina de Maria. Com Maria e suas companheiras mulheres é possível construir uma Igreja que vive intensamente a alegria do Evangelho, que deixa de ser alfândega e tribunal para ser lar e enfermaria que sai para acolher e cuidar, como quer o Papa.
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Inspirada em Maria, a Igreja precisa criar espaços e condições favoráveis para o desenvolvimento de homens e mulheres maduros, livres, despojados, solidários e comprometidos com a salvação do mundo. Um corpo ou uma instituição que se impõe pelo medo e pela lei estaria condenado à esterilidade e nunca terá a graça de sentir os filhos e filhas saltarem de alegria no seu ventre. Seria um corpo incapaz de conhecer a felicidade, e permaneceria um túmulo de homens e mulheres que não chegam a nascer verdadeiramente. Deus nos livre de uma Igreja com nome feminino mas com estruturas masculinas!
Na origem da vocação à vida consagrada está a experiência de um Deus que olha nos olhos e, sorrindo, nos chama pelo nome. Ou uma experiência como aquela de Maria e de Isabel: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo!” E então, a partir disso, os pés percorrem caminhos e o corpo estremece de alegria por receber inesperadamente a visita de Deus na própria casa. A vocação à vida religiosa não é primariamente um caminho de purificação moral ou de desprezo do mundo, mas a experiência de plenitude de uma graça que não cobra méritos: dar de graça aquilo que de graça se recebeu.
Resultado de imagem para assunção de nossa senhora da glóriaMaria, profetiza corajosa, mãe amorosa e discípula fiel do teu Filho: intercede junto a ele para que as pessoas que se consagram a Deus sejam ouvintes da Palavra, cresçam no serviço aos pobres e amadureçam na profecia. Que sejam fiéis ao chamado de proclamar com a vida e com palavras que nada pode ser colocado acima do amor pessoal a Jesus Cristo e aos pobres nos quais ele vive. Assim, ajudarão Jesus a vencer a morte que ameaça seus irmãos, que não se reduz à luta contra a corrupção. E que se façam ativa e corajosamente presentes nos desertos, nas periferias e nas fronteiras. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

sábado, 12 de agosto de 2017

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

O Senhor é presença e companhia em todas as travessias!
Resultado de imagem para imagem de caminhoA vida é uma travessia, e crer é caminhar. As travessias costumam ser arriscadas e causam medo. Há aqueles que preferem evitá-las sempre, convictos de que o risco não compensa. São pessoas que fecham os ouvidos a todo e qualquer chamado; padres que desempenham sua missão pastoral como uma atividade qualquer ou até como uma carreira; pais e famílias que se recusam a assumir sua missão de educar seus filhos para o amor; fiéis que preferem as velhas e potentes imagens de Deus ao desafio de descobri-lo na brisa leve da luta pela justiça...
Mas a revelação de Deus é experimentada mais claramente nos movimentos de passagem que na estabilidade dos templos e dos lugares-comuns: do Egito para a terra prometida; do centro para a periferia; do eu para o nós; da aparente segurança das cavernas para o descampado estimulante da montanha; do poder para o serviço; da autossuficiência para a entreajuda; do peso das estruturas eclesiásticas para a leveza e a criatividade do Espírito. Parece que Deus não gosta de se estabelecer! A Deus agrada mais o campo aberto e as estradas que os templos e palácios...
Resultado de imagem para imagem de JESUS com os pobresComo nos lembram sobejamente os evangelhos, os discípulos de Jesus imaginavam um Deus indiferente às necessidades dos famintos, ou suficientemente poderoso para resolver todas as dificuldades do povo. Esta é a imagem de Deus que predomina nas diversas religiões e em amplos setores do povo católico ainda hoje. Mas Jesus revela-se um Deus compassivo com os pobres, um Deus que tem necessidade da nossa colaboração – nem que seja apenas cinco pães e dois peixes! – na sua ação libertadora. E é ele que nos convida a superar o medo e confiar na sua presença em todas as travessias.
Resultado de imagem para imagem de JESUS caminhando sobre as aguasInfelizmente, apesar dos séculos de pregação, as imagens de um Deus poderoso e ameaçador, ou então nacionalista e ligado aos interesses de pequenos grupos, ainda não se apagaram da nossa memória. Ensinaram-nos que Deus se revela no poder destruidor dos terremotos, no fogo devorador das ideologias totalitárias, no mistério aterrador dos furacões, nos pesados decretos que condenam, na dura punição aos que erram. Segundo essa ideologia religiosa, Deus seria onipotente, onisciente e onipresente. Quanto mais poder ou saber alguém possui, mais se pareceria com Deus...
Diante de um Deus com estas características, caímos por terra ou gritamos de medo. E do ventre do medo não costuma nascer o amor que se faz dom, mas a agressividade da autodefesa ou da dominação. Um Deus com tais traços é um fantasma, uma fantasia que se abriga nas pessoas que não superaram o desejo infantil de onipotência. E esse fantasma, via de regra, está a serviço das diversas formas de dominação e de infantilização religiosa, econômica e política. Parecemo-nos com Pedro, que tenta caminhar sobre as águas, revelando seu desejo de participar da presumida onipotência de Deus...
Resultado de imagem para imagem de JESUS caminhando sobre as aguasÉ o medo dos ventos contrários, das diferenças e dos questionamentos que gera a dúvida e nos leva a afundar, tanto em termos humanos como espirituais. O medo não nasce da verdadeira experiência de Deus, mas de uma imagem parcial ou confusa de Deus. É isso que percebemos nos discípulos no episódio da travessia do mar: a força do vento e das ondas, que fustigam a barca como a tirania dos poderosos, somada à ideia de um Deus que caminha indiferente sobre as ondas, arranca-lhes gritos de pavor. É essa dúvida sobre a divindade de um Jesus frágil e compassivo leva Pedro a afundar apavorado!
Na carta aos Romanos, Paulo lamenta que seus irmãos de raça e sangue tenham se apegado às leis, à religião, às instituições e às promessas como se fossem um privilégio que os colocam acima dos demais seres humanos e povos e fora das peripécias e exigências da história. Talvez seja esse o maior obstáculo aos acordos de paz em vista da justiça, tão necessários na Síria como na Venezuela e no Brasil. Isso nos lembra que filiação é um dom e uma graça que carregamos como tesouro e em vasos de barro, e jamais um privilegio ou uma propriedade. Nem todos aqueles que ostentam o título de cristãos o são de fato...
Resultado de imagem para imagem de JESUS caminhando sobre as aguasDeus, pai e mãe, presença amorosa e encorajadora em todas as humanas travessias... Tu conheces a generosidade e a ambiguidade, a coragem e o medo de cada um de nós. A tentação continua levando-nos a te procurar no fogo, no terremoto, na ventania, nos acontecimentos que impressionam. Vem ao nosso encontro como vento calmo e benfazejo, como o calor sereno e acolhedor do colo dos melhores pais.  Socorre nossa pouca fé e cura as dúvidas do nosso coração e os desvios do nosso afeto. Ensina aos pais o cuidado dos filhos e filhas, colocando-te entre eles e guiando-os como modelos de vida, e não como patrões e senhores. E que nossas famílias sejam escolas de comunhão e generosidade. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf