
A primeira pergunta que Jesus dirige aos
discípulos, justamente neste lugar carregado de significado político, soa como
uma espécie de enquete: “Quem dizem os homens que é o filho do homem?” E um
elemento que não pode ser menosprezado é o apelativo que Jesus usa para
referir-se a si mesmo. A expressão ‘Filho do homem’ destaca os vínculos de
Jesus com os homens e mulheres comuns, e é o nome que ele mesmo prefere e usa
com mais frequência. Conhecedor da ambiguidade dos conceitos e expectativas que
escondem, Jesus evita referir-se a si mesmo como Filho de Deus ou Messias...
Podemos imaginar que a resposta não saiu assim
muito rapidamente. Entre os discípulos fez-se silêncio, e eles se esforçaram
para recordar aquilo que o povo dizia depois de ter escutado e conhecido Jesus.
As respostas que eles resumem vinculam Jesus claramente ao movimento profético.
O povo identifica a ação e a pregação de Jesus com a missão dos grandes
profetas da sua tradição, aqueles homens que falavam e agiam em nome de Deus e
defendiam o direito dos oprimidos.
Mas parece que o interesse de Jesus não é apenas
fazer uma espécie de pesquisa de opinião... Ele escuta atentamente a resposta
dos discípulos, mas não comenta a síntese que eles apresentam. Faz-se novamente
silêncio. Então Jesus, olhando os discípulos nos olhos, pergunta-lhes
enfaticamente: “E vocês, quem dizem que eu sou?” O que interessa a Jesus
são as fantasias e expectativas que povoam a mente e o coração dos homens e
mulheres que seguem seus passos e escutam suas palavras.

Tanto para aqueles discípulos com para nós, as
respostas que ouvimos dos nossos pais, catequistas, padres e professores podem
ajudar, mas são radicalmente insuficientes. A resposta à pergunta de Jesus deve
vir da vida pessoal e eclesial; está inscrita nas nossas práticas,
relacionamentos, opções e utopias; está oculta no tipo de relação que
cultivamos com Cristo, no lugar que ele ocupa em nossa existência. Portanto,
não pode ser uma resposta à flor da pele, na ponta da língua, irrefletida.
Pedro rompe o silêncio. Com voz insegura, mas sereno
e até ousado, fala, como sempre, em nome dos demais discípulos: “Tu és o
Messias, o Filho do Deus vivo.” É uma afirmação de fé, porque nela Pedro
reconhece que aquele ser humano concreto, aquele jovem galileu que se
compadeceu da multidão faminta e elogiou a fé de uma mulher pagã, é o Ungido
pelo Espírito Santo, o pastor de Israel, o enviado de Deus para realizar seu
projeto. E Jesus chama Pedro de rocha, pois é sobre essa adesão de fé que ele
confia a continuidade da sua missão. Esta adesão firme e fiel se torna chave
que abre e fecha portas.

Deus pai e mãe! Teus caminhos são
impenetráveis, tu andas pela contramão da história dos grandes. Oxalá nossa
pregação não se apoie no poder do dinheiro, na força das armas e na persuasão
da oratória. E que tua Igreja, inspirada na prática de Jesus de Nazaré, o
missionário querido que enviaste ao mundo, valorize e promova a vocação
dos leigos e leigas, tanto na sociedade como na Igreja, reconhecendo sua fé
como alicerce firme e evitando tratá-los como menores de idade ou dependentes.
Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf
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