Revelamos que somos filhos de Deus no amor sem
fronteiras!
No evangelho deste domingo, Jesus responde à
pergunta sobre como reagir frente às situações de violência e aos seus agentes.
Ele conhece bem a lei judaica que, para limitar uma violência reativa e
desproporcional à violência sofrida, propõe não passar do “olho por olho” e do
“dente por dente”. Por mais estranho que nos pareça, esta lei representa um
avanço em relação à lei que facultava a reação violenta e desproporcional do
mais forte e ferido sobre os mais fracos. Jesus aponta os limites deste
preceito: pagar com a mesma moeda não erradica a violência que ofende, machuca
e mata.
Mas, atenção! A proposta de Jesus não tem nada
a ver com submissão e passividade!Oferecer a outra face significa permanecer
senhor de si e desafiar a legitimidade de um sistema projetado para humilhar.
Dar o manto a quem penhora a túnica (desnudar-se publicamente!) significa
revelar a humanidade que a todos irmana e denunciar a avareza violenta dos
credores. Caminhar o dobro do percurso que o soldado determinou significa não
aceitar o jogo do império, questionar a hierarquia, tomar a iniciativa. Isso
significa que a proposta de Jesus tem como meta eliminar o círculo vicioso que
liga as ações e reações violentas!
O fato é que sempre classificamos as pessoas e
dividimos o mundo em amigos e inimigos. Amamos e respeitamos os que estão
próximos e alimentamos suspeitas ou somos indiferentes em relação aos
estranhos. O conceito do ‘próximo’ abrange uma certa diversidade de gênero,
riqueza, parentesco e etnia, e a imagem do ‘inimigo’ não se limita aos
adversários nacionais ou aos membros de outras religiões, mas se estende a
todos os oponentes pessoais. É aqui que entra o mandamento de Jesus: nosso amor
não pode se restringir aos iguais, aos próximos, mas deve chegar aos estranhos
e distantes, até aos inimigos.
Jesus resume sua proposta ética e espiritual
numa frase: “Sejam perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” A perfeição
do Pai faz com que a chuva beneficie tanto os justos como os injustos e o sol
ilumine tanto os bons quanto os maus. Ser perfeito como o Pai celeste significa
não impor condições nem ter reservas, ser inteiro e verdadeiro em tudo e com
todos, pois, como nos lembra Paulo, todos – nós, os outros, a comunidade
eclesial e a comunidade humana! – somos santuários de Deus e templos do
Espírito Santo. Que ninguém ponha sua gloria no próprio grupo, etnia, gênero,
igreja, religião!
Itacir Brassiani msf
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