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By Ferramentas Blog

VOCAÇÃO

Já pensou alguma vez que você é chamado a se comprometer com o Reino de Deus aqui na terra? Já pensou em comprometer-se com o próximo de algum jeito particular? Já pensou que esse jeito pode ser o
do Carmelo?


sábado, 5 de dezembro de 2015

2º DOMINGO DO ADVENTO


Image result for joao batistaO Advento não é um simples tempo espera, ele sugere mudanças. A liturgia do segundo domingo nos convida a olhar para as experiências dos nossos antepassados e celebrá-las como próprias, em vista de uma escuta atenta e responsável: “Preparem o caminho!... Endireitem suas estradas!...” Nossa atenção é requisitada pelo presente, e exclamamos: “Que Javé mude a nossa sorte, como as torrentes do Negueb!” A profética convicção de que o lobo e o cordeiro pastarão juntos nos convoca a práticas concretas de mudança, a fim de que as pessoas humilhadas sejam elevadas.

O profeta Baruc atua num tempo difícil. O povo hebreu vivia disperso em meio a uma cultura hostil. A capital e seu suntuoso templo eram um monte de escombros. A nação não existia mais. Era um tempo de luto e de lamentação, sem esperanças, como o é hoje para as vítimas do “acidente” em Mariana e para os refugiados da fome na Africa e das guerras no Oriente Médio. Neste contexto, as palavras do profeta soam como um delírio: “Jerusalém, tire a roupa de luto e aflição e vista para sempre o esplendor da glória que vem de Deus. Vista o manto da justiça de Deus e a coroa gloriosa do Eterno...”

Image result for joao batistaOs tempos sombrios e desoladores escondem no próprio ventre sementes que pedem para germinar e transformam os desertos em jardins. A gestação da nova humanidade e da nova criação é compromisso firmado pelo próprio Deus, e começa com o reconhecimento da nossa responsabilidade pelos males que agridem suas amadas criaturas. É o próprio Deus que nos anima, orienta e sustenta. Ele nos batiza com novos nomes e nos convoca a escalar os muros, olhar em todas as direções e contemplar um povo novo que vai sendo reunido com gente que vem de todos os lados.

Isso significa que está em curso um amplo, profundo e misterioso processo de gestação e de mudança, de dispersão dos orgulhosos e de libertação dos humilados. O que precisamos é assumi-lo e cuidar dele como a mãe cuida da criatura que carrega no seio, que depende dela mas não é sua propriedade. Importa ajudar Deus na tarefa de rebaixar colinas e aterrar vales, de aplainar o chão para facilitar seu crescimento e sua caminhada. E aqui podemos entender a relevância da atividade e das palavras proféticas de João Batista...

Image result for joao batistaO profeta do Jordão sabe que é apenas o precursor de Algo melhor e de Alguém maior que ele. Sua missão transcorre num tempo em que coexistem e se articulam os poderosos da Judéia, de Roma e do Templo. Ele rompe com Jerusalém, capital da terra prometida que acabara se tornando centro de opressão, e se retira para o deserto, lugar da impotência, da resistência, do êxodo e da transformação profunda. É esta radicalidade profética que o faz grande, maior que os maiorais do seu tempo. Convicto de que o tempo estava maduro para mudanças profundas e amplas, João convoca seu povo a arregaçar as mangas: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!”
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Para João, a preparação deste caminho começa por endireitar as sinuosas curvas construídas pelos doutores da lei. Estas curvas dificultam ou impedem aos mais pobres e humildes o acesso à salvação, ou seja, ao reconhecimento da sua  humana dignidade e dos seus direitos mais elementares. Ele afirma que Deus está comprometido neste trabalho e faz a sua parte: aterra os vales, aplaina as colinas, endireita as curvas e tapa os buracos. Ou seja: vê a humilhação do seu povo, estende sua misericórdia a todas as gerações, derruba os poderosos e eleva os humildes (cf. Lc 1,48-55).

Horizontes amplos e utopias de grande alcance são importantes. É absolutamente necessário perceber que o universo inteiro aspira e conspira para que a vida seja possível e abundante. Afastando-se de nós na mesma medida em que delas nos aproximamos, as utopias cumprem o papel essencial de nos manterem na caminhada. Mas elas também nos chamam à conversão, a mudanças profundas e concretas. Esta conversão começa com mudanças no modo de ver a vida, mas precisa também ser traduzida em práticas concretas e cotidianas no âmbito pessoal, familiar, comunitário e societário.

Image result for anunciação de mariaDeus querido, pai e mãe que amas e elevas os humilhados: ajuda-nos e acolher e viver o espírito do Advento, melhorando nosso viver de modo corajoso e radical. Que nossa fé e nosso amor cresçam e amadureçam em concretude e perspicácia. Que tuas Igrejas e cada um de nós nos dediquemos mais a abrir portas e janelas que em erguer muros; mais a elevar as pessoas humilhadas que a construir torres; mais na abertura de caminhos de encontro que na formulação de dotrinas que produzem desencontros. E assim estaremos preparando entre nós um lugar para o teu Filho. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

LOGOTIPO DO JUBILEU DA MISERICÓRDIA


Explicação do logotipo DO Jubileu da Misericórdia que iniciará no próximo dia 08 de Dezembro Festa da Imaculada Conceição de Maria
O logotipo e o lema colocados juntos oferecem uma feliz síntese do Ano jubilar.
 O lema Misericordiosos como o Pai (retirado do Evangelho de Lucas, 6,36) propõe viver a misericórdia no exemplo do Pai que pede para não julgar e não condenar, mas perdoar e dar amor e perdão sem medida (cfr. Lc 6,37-38).
 O logotipo – obra do Padre jesuíta Marko I. Rupnik – apresenta-se como uma pequena suma teológica do tema da misericórdia.
Mostra, na verdade, o Filho que carrega aos seus ombros o homem perdido, recuperando uma imagem muito querida da Igreja primitiva, porque indica o amor de Cristo que realiza o mistério da sua encarnação com a redenção.
O desenho é feito de tal forma que realça o Bom Pastor que toca profundamente a carne do homem, e o faz com tal amor capaz de lhe mudar a vida. Além disso, um detalhe não é esquecido: o Bom Pastor com extrema misericórdia carrega sobre si a humanidade, mas os seus olhos confundem-se com os do homem.
Cristo vê com os olhos de Adão e este com os olhos de Cristo. Cada homem descobre assim em Cristo, novo Adão, a própria humanidade e o futuro que o espera, contemplando no Seu olhar o amor do Pai.


A cena é colocada dentro da amêndoa, também esta figura cara da iconografia antiga e medieval que recorda a presença das duas naturezas, divina e humana, em Cristo. As três ovais concêntricas, de cor progressivamente mais clara para o exterior, sugerem o movimento de Cristo que conduz o homem para fora da noite do pecado e da morte. Por outro lado, a profundidade da cor mais escura também sugere o mistério do amor do Pai que tudo perdoa.

 

sábado, 28 de novembro de 2015

TEMPO DE ADVENTO


Natal é a festa mais querida do ano. E uma festa envolta em luz e alegria. Parentes se visitam. As famílias se reúnem. Fazem-se refeições especiais. Trocam-se presentes. Fazem-se cestas de natal e organiza-se o “natal sem fome”.
Mas, muitas vezes, o verdadeiro motivo da festa fica apagado. Natal é a festa do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo. O Filho de Deus se faz um de nós. Deus entra na história dos homens para fazer dela uma história de salvação, de vida, de paz, de justiça e de fraternidade.
Neste contexto, surge uma pergunta:
- Como vamos preparar a festa do Natal? Pensamos na família, na comunidade, na vizinhança e na humanidade.
- Quem deve pensar nessa preparação?
- O que atrapalha a preparação da festa do Natal?
Certamente, o consumismo. A propaganda comercial. A pressão do mercado capitalista comprar mais e o melhor. Vivemos numa sociedade desigual que visa o lucro, onde a pessoa é reduzida a mercadoria e a injustiça se petrificou nas estruturas sócio-econômicas que todos os dias matam milhares de seres humanos. Uma sociedade onde uns têm tudo, outros não têm nem terra, nem emprego, nem salário digno, nem comida...
Existe também a perda do sentido do advento e do natal. Existe a falta de um espaço para encontrar-se. Rezar. Refletir. Tomar consciência do que estão fazendo conosco através dos meios  de comunicação e da cultura “desumanizadora”.
No advento procuramos caminhos para nos libertar das amarras da escravidão do dinheiro, do poder e do imediatismo, da superficialidade e da rotina. Viver o advento significa, portanto, rever os nossos projetos, avaliá-los à luz da mensagem do advento do Senhor, rever o rumo que estamos dando à nossa vida.
Que queremos que seja o nosso advento? O que vamos alimentar em nossa vida neste tempo?
O que realmente conta, no dia a dia, e que soma com a nossa realização, felicidade, paz e liberdade? Não podemos, no espírito do advento, só pensar em nós.
Quais são os nossos verdadeiros sonhos, aspirações e projetos? São os melhores para a nossa salvação? Nestes sonhos e aspirações chega o amor de Deus que vem nos libertar e salvar.
Cultivar o sonho de mais vida, mais emprego, mais moradia, mais pão e liberdade, mais dignidade para o povo brasileiro e para todas as pessoas e engajar-se de corpo e alma na concretização deste sonho é viver o espírito do natal e abraçar o presente que Deus nos oferece, ou seja a chegada do seu Reino na pessoa do seu Filho amado.

1º DOMINGO DO ADVENTO


Image result for TEMPO DE ADVENTOO Advento é um tempo marcado pela abertura, pela esperança e pela vigilância. É um itinerário pastoral e espiritual que nos coloca diante do núcleo central da esperança cristã. Serão quatro semanas que nos ajudam a reviver os milênios de expectativa messiânica do povo hebreu e os nove meses de espera ativa da Família de Nazaré. Centremos nossa mente e nosso coração no reconhecimento e na acolhida daquele que vem na fragilidade humana e nas brechas da história. Sejam estas semanas marcadas pela esperança inquieta e quase delirante no advento de uma humanidade livre e solidária. Não será desiludido quem espera no Senhor e caminha ao encontro dele.

Depois de aludir a um contexto que provoca medo e angústia, Jesus nos adverte: “Tomem cuidado para que os corações de vocês não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida...” Diante da constatação de que hoje uma família de classe média sente necessidade de possuir ou consumir mais ou menos 10.000 objetos, somos lembrados de que verdadeira preparação para o Natal não se faz adquirindo mais coisas e acrescentando novas atividades, mas despojando-nos do supérfluo, simplificando a vida,  reconhecendo e priorizando o essencial.
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Sol, lua, estrelas e mar representam os poderes que pretendem ser divinos e inquiestionáveis. E quando tais poderes sentem-se abalados, como aconteceu recentemente em Paris, muitas pessoas são assaltadas pela ansiedade e pelo pavor, e a reação do Estado é a contra-violência.  Mas Jesus nos convida e viver com serenidade, a agir com confiança e a esperar com lucidez. “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima.” Há uma novidade alvissareira escondida no ventre da história, apesar das suas ambiguidades.

Nas pessoas e movimentos que se esvaziam dos entulhos culturais e religiosos impostos, estão sendo gerados novo Homem e a nova Mulher. A Humanidade nova vai nascendo dos escombros de um mundo desigual e do vazio fecundo criado pela diminuição do consumo. “Então eles verão o filho do homem vindo sobre uma nuvem, com poder e grande glória.” Trata-se de um nascimento pouco evidente, que não se impõe à percepção. É como um broto no meio de grandes árvores. A vigilância é necessária, porque Deus nos visita em fraldas. Para reconhecê-lo, é preciso purificar e ajustar o olhar!

Image result for TEMPO DE ADVENTOOlhar amplo e vigilância são atitudes necessárias para que esse misterioso Dia não nos surpreenda correndo atrás de comidas e de bebidas, de perus e de espumantes! Este tempo vai sendo Hoje, e o lugar está nas promissoras utopias cotidianas. O Dia é cada dia, e o lugar é um pouco por todo lado. Não esperemos nada de imponente e ostensivo. Vivamos o Advento e suas ousadas promessas esquecendo o calendário fixo, abandonando a ansiedade de comprar presentes e mais presentes, e até de multiplicar novenas e pedidos. Precisamos de muito pouco para viver com sabor e sentido!

Paulo nos convida a rezar “a todo momento”, a encontrar meios para  manter e cultivar esta vital abertura ao Deus que veio, que vem e que virá. Sem esta abertura radical e confiante, acabamos enclausurados em nós mesmos, avessos a qualquer esperança e refratários a toda mudança. Sem esta janela para o amanhã, acabaremos cegos às novidades emergentes e reféns do ontem, daquilo que já era, membros inertes de um corpo morto. Enquanto abertura e confiança em Deus, a oração nos mantém em pé diante do Filho do Homem que vem, envolto na fragilidade dos brotos e bebês.
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Paulo também nos pede que continuemos crescendo em humanidade, no amor recíproco e no serviço solidário a todas as pessoas. É assim que agradaremos a Deus e permaneceremos firmes e irrepreensíveis. O que agrada a Deus não é consumo, mas o crescimento no serviço fraterno e solidário. Este é o caminho que Deus ensina aos pobres e mostra aos justos, respondendo à súplica do salmista. A verdadeira preparação para o Natal consiste em simplificar a vida e dar prioridade ao que é essencial, em criar espaços vazios para acolher o que está para nascer ou para chegar.

Deus amável, pai e mãe de todas as misericórdias: iniciamos nossa caminhada do Advento pedindo que purifiques e dirijas nosso olhar, para que possamor ver os múltiplos sinais da tua visita e da tua presença. Ensina-nos a amar desde agora aquilo que ainda está por vir, a caminhar entre aquilo que passa com os olhos fixos naquilo que é duradouro. Que teu Espírito nos guie na verdade e nos faça crescer na santidade e na justiça, livrando-nos da tentação de jogar a culpa de todos os males sobre aqueles que crêem diversamente de nós e que, possivelmente, são mais vítimas que culpados. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf